Espaço do Diário do Minho

Aves, lixo e “respeito”
7 Mai 2018
Narciso Mendes

Valha-nos ao menos que na cidade de Braga, a não ser uma ou outra que às vezes vejo, não proliferam gaivotas. Pois o mar fica a cerca de 40 km. Mas há pombas e com fartura, lindas de se ver. Aves que não fazem voos rasantes ou a pique, como aquelas, para sacarem o lanche, almoço, ou jantar, das mãos das pessoas. Que o digam alguns turistas sempre que vão a petiscar pela rua, como acontece na cidade do Porto.

No entanto, um senão existe com as pombinhas que povoam a nossa Augusta cidade. É que não conhecem os mictórios públicos e, vai daí… pimba, defecam em tudo que é monumento e onde calha, pois a necessidade fisiológica a isso as obriga. Porém, menos famintas de que os larídeos, porquanto não entram nos estabelecimentos de restauração como fazem na Invicta tripeira.

A não ser um certo dia em que uma delas apareceu à porta de uma loja, do Centro Histórico da nossa cidade com uma perna partida; coxeava e mal conseguia caminhar. E o lojista logo pensou: “se ela veio aqui ter é porque precisa de ajuda; de alguém que a trate”.

Pegou na pombinha, com todo o cuidado, levou-a para dentro e, puxando do pequeno estojo de primeiros socorros, fez o que pôde: untou-lhe a pernita com um creme hidratante, ajeitou uma palheira plástica, cortou-a à medida, fez-lhe um golpe longitudinal e, após desinfetá-la, colocou-a á volta da fratura envolta em adesivo. Entretanto, passou a voar e, de vez em quando, pousa na soleira da porta, fita o seu benfeitor e desaparece. É a sua prova de gratidão.

Braga sem pombas poderia ficar mais limpa, mas já não seria a mesma coisa. Sujam-na muito mais os humanos, grafitam-na e maltratam o património que é de todos. Desrespeitando quem a limpa e onerando os encargos com a “AGERE”, Empresa Municipal, que vai procurando inovar na forma de eliminar o lixo. Aliás, como veio noticiado na imprensa diária, a qual resolveu implementar no espaço urbano um novo sistema de recolha dos resíduos, recorrendo às novas tecnologias coordenadas com “GPS” e um “TAG”. Uma espécie de identificador dos respetivos utilizadores dos contentores castanhos e pretos, a quem a empresa se propõe atribuir um prémio àquela entidade que melhor cumprir os requisitos de separação.

Para além disso, serão 3500 os recipientes a distribuir pelas freguesias periféricas, estando em plano de aquisição camiões dotados de infravermelhos e gruas robotizadas que tratarão de detetá-los e despeja-los, deixando-os no mesmo sítio. Esperando-se que a boa educação e o civismo das pessoas imperem, a fim de que tenhamos todos os espaços mais limpos e asseados.

Por falar em “civismo”, a novidade que ainda não chegou a Braga foi a marcha do orgulho gay. Mas já se vai realizar em Bragança por iniciativa do Bloco de Esquerda, a 18 de Maio de 2018. Onde 100 a 150 (inscritos) lésbicas, gays, bissexuais e transgénero (LGBT), alguns deles espanhóis, irão afluir. E o deputado municipal António Anes prometeu todo o empenho à sua organizadora, a estudante Sara Canteiro, tratando em levar à próxima sessão da A. Municipal um voto de congratulação pela iniciativa.

Pobres bragantinos! Sofreram com as brasileiras que roubavam os maridos às esposas e, mal refeitos, têm de aturar isto. Mas quem se poderá sentir algo incomodado é o Abade de Baçal, cujo evento foi agendado para o museu de seu nome. Continuando a marcha até ao centro da cidade, culminando na Sé. Pois que a intenção será a de promover a abertura à diversidade do género numa cidade conservadora. E, apesar do alvoroço que já se sente na região, segundo consta, os promotores pedem – pela liberdade e diferença – “respeito”.

Coisa que não houve na cidade dos Arcebispos no 25 de Abril, passado. Quando um punhado de bloquistas se manifestaram contra a presença da estátua do Marechal Gomes da Costa, em frente à CMB. Valeu o proficiente recado do Edil bracarense: «o “respeito” pela liberdade e diferença ou vem de berço ou nunca mais se aprende», disse.



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