Fotografia: Alexandre Gonzaga

Sequeirô e Lama ganham a aposta da persistência e coragem pastoral

Padre José Carlos Sá referiu os desafios e as oportunidades encontrados em ambas as paróquias.

Alexandre Gonzaga
28 Abr 2018

O discurso é direto e simples. Simples, também é o estilo de vida do pároco de São Martinho de Sequeirô e São Miguel da Lama, no arciprestado de Vila Nova de Famalicão, que recebeu o Diário do Minho a propósito do tema do Ano Pastoral 2017/18 na Arquidiocese de Braga.

“Despertar Esperança”, um tema querido para o padre José Carlos Sá, líder religioso há cerca de 19 anos em Sequeirô e há 18 anos na Lama.

Sim, «líder», enfatiza, enquanto acaba de colocar comida e água na gaiola de um casal de pequenos pássaros exóticos, oferecidos por paroquianos.

«Desde que cheguei a estas comunidades, caminho com esta gente e tento ser o líder e não o mandão», sublinha o sacerdote com um brilho nos olhos quando fala do percurso pastoral que ambas as comunidades têm realizado ao longo de quase duas décadas.

Consciente que «o caminho se faz caminhando» e que «é preciso respeitar o ritmo das pessoas», o responsável dá o exemplo da formação de adultos que iniciou nas comunidades há seis anos e meio e que «tem dado os seus frutos».

«É uma das coisas que me dão mais gozo», realça o pároco, que, entrando no escritório paroquial com passo tranquilo, afirma que os encontros visam «esclarecer as pessoas, mostrar o que está  por trás dos conteúdos».

Trajetos incomparáveis

Já sentado à secretária, o padre José Carlos Sá abre o “livro das memórias” e recorda, «sem comparar as paróquias», o caminho trilhado.

O grande desafio que encontrou no trabalho em Sequeirô está relacionado com um passado nem sempre consensual em torno da construção da igreja paroquial.

«Encontrei a comunidade um pouco dividida. As pessoas que trabalham na comunidade paroquial são muito boas e colaboram, mas tivemos que trabalhar a coesão e a comunicação», explica o pároco, acrescentando que a edificação do novo templo foi «uma experiência boa, materialmente falando, mas numa perspetiva humana e cristã gerou-se algumas limitações e ruturas geracionais».

Com «os olhos e o coração pejados de esperança», o sacerdote explica que «a geração dos 40-50 anos de idade é a mais ativa e, apesar de ter convivido de perto com essa situação, colabora bem».

«Em termos de conteúdo de fé, estamos bem. Mais do que isso, temos “paróquia” e hoje estamos a construir “comunidade” em Sequeirô», remata.

Em relação à paróquia da Lama, o padre José Carlos Sá recorda a sorrir que, quando chegou à comunidade, «o pároco não tinha grande “voto na matéria” e que os paroquianos não acreditavam que se pudesse fazer muita coisa».

Contrariando esta crença, colocou-se mãos à obra e construiu-se o salão paroquial. Um equipamento que acabou por «unir o que estava dividido». Para o responsável, trata-se de uma «situação saborosa», que demonstra que «tudo acontece a médio prazo e com persistência». 

«A nível humano, a Lama é uma paróquia fantástica», conclui.

Catequese “projeto”

O padre José Carlos Sá destaca que «foi difícil mudar algumas mentalidades em ambas as paróquias, quando se tentou passar de uma catequese mais dogmática, encarada como mero “programa”, para uma catequese “projeto”», sustentando que «cada um tem o seu ritmo».

«Não podemos enfiá-los apenas num programa; queremos ajudar a construir pessoas de acordo com o modelo de Jesus Cristo», defende o pároco, dizendo que «nada muda quando se ensina apenas do pescoço para cima».





Notícias relacionadas


Scroll Up