Espaço do Diário do Minho

Longevidade e competência
27 Abr 2018
Carlos Dias

É sob o signo de despedida que alguns treinadores se debatem nestas fases finais dos diversos campeonatos, uns por opção unilateral, outros porque não atingiram os seus desígnios e, outros, porque chegaram ao fim de uma longa, maravilhosa, mas cansativa viagem de imensos anos à frente das suas equipas. É o caso de José Jardim, treinador de voleibol do SL Benfica e do, lendário, Arséne Wenger, treinador francês de futebol do Arsenal FC, de Inglaterra.

Há algumas pessoas que são apologistas que estes divórcios já poderiam ter acontecido há mais tempo, contudo, foi um sinal de maturidade dos respetivos clubes quando deram continuidade aos projetos quando as coisas nem sempre funcionaram.

Apesar do cenário do treinador francês ter sido comunicado, a situação do treinador de voleibol não está clarificada, mas, quando venceu a Taça de Portugal, este deu a entender o cansaço de 30 anos ligado ao clube lisboeta. Há algumas coisas em comum, entre estes dois treinadores, para além da longevidade.

Existem alguns aspetos das personalidades que demonstram a importância da resiliência, da competência e da astúcia em construir projetos, bem estruturados, de estabelecer metas a longo prazo e a lutar contra ciclos de maré cheia ou maré vazia. São seres humanos especiais, para além de técnicos muito competentes e talentosos.

Ao longo das suas longas carreiras, os resultados nem sempre foram os melhores, mas aquilo que transparecem são algumas caraterísticas que os fazem ser “especiais”: o compromisso absoluto, a visão dos respetivos projetos e um forte sentido ético, mas também, a elasticidade cognitiva e a inteligência emocional com que geriram, quase sempre, os momentos mais difíceis.

A estabilidade dos projetos e a perceção dos contextos fizeram que carregassem os seus clubes e as modalidades a que se dedicaram de uma forma exemplar. Nem todos podemos ser “supertreinadores” mas, possuir valores e uma filosofia forte, dura e prolongada, de vida e de atuação com os processos que se lideram, são aspetos decisivos para se atingirem resultados desportivos e ajudam a ter uma carreira competente e, eventualmente, mais consistente.

Por falar em longevidade, também o atleta Miguel Maia, jogador de voleibol do Sporting CP, é um excelente exemplo de intensa, duradoura e competente carreira desportiva.

Com 47 anos, continua a ter uma prestação desportiva de elevado índice. É, neste momento, o atleta federado mais “velho”, em todas as modalidades, a jogar no alto nível. E quem acompanha a modalidade, ainda pode verificar que continua com um excelente rendimento desportivo.

A forma como todos estes protagonistas gerem/geriram as suas carreiras, apesar de serem em áreas distintas, só é possível com uma enorme paixão pelo desporto que abraçaram.

Eventualmente, deixam, à sua respetiva escala, uma longa carreira e um legado que perdurará por muitos anos e, poderá inspirar as novas gerações.

Como referiu Nelson Mandela: “O mais importante na vida não é, apenas, o facto de termos vivido. É a diferença que fizemos na vida dos outros, que determina o significado da nossa própria existência.”



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