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Ex-candidato a presidente do Benfica suspeito de burlar várias IPSS no Minho com material ortopédico

Julgamento está marcado para o Tribunal de Faro e pode obrigar a reabertura de processo na Suécia.

Redação/Nuno Cerqueira
26 Abr 2018

Foi adiado o julgamento que hoje estava previsto começar em Faro onde Carlos Quaresma, ex-jogador e candidato à presidência do Benfica, é acusado de burla a câmaras municipais e instituições sociais de todo o país, das quais terá obtido verbas indevidas para transportar da Suécia equipamentos ortopédicos e hospitalares doados.

Da lista de alegadas burlas estão instituições de Vila Verde, Braga, Famalicão e Viana do Castelo.

Carlos Quaresma terá recebido indevidamente cerca de 265 mil euros, valor obtido da diferença entre os valores recebidos e os pagos na verdade pelas despesas, refere a acusação, deduzida em junho de 2017.

O arguido, que se radicou na Suécia, chegou a ser condecorado pelo Estado português pelos serviços de “solidariedade”, mas que se vieram a revelar um “fraude”.

Agora com 63 anos, Quaresma «urdiu um plano para obter para si quantias monetárias provenientes de autarquias e instituições de solidariedade social, mediante contactos com a promessa de doações de equipamentos ortopédicos médicos e hospitalares provenientes da Fundação AGAPE», uma organização não-governamental da Suécia que tem doado material ortopédico e mobiliário médico a muitas instituições de vários países, incluindo Portugal.

As Santa Casa de Viana do Castelo e de Vila Verde, assim como associações de solidariedade de Famalicão – Centro Pastoral e Associação de Doadores de Sangue -, e Cruz Vermelha de Barcelos, estão entre as alegadas “vítimas” do emigrante que permanece com a medida de coação de “termo identidade e residência”.

Carlos Quaresma, entre meados de 2009 e até novembro de 2011, fez-se passar por presidente e voluntário da fundação, abriu uma conta bancária para aí receber quantias monetárias e entrou em contacto com pelo menos 18 municípios e 15 instituições de solidariedade social de vários pontos do país.

Após obter o seu interesse, informou-as de que para beneficiarem das doações teriam de transferir para a conta bancária 13 mil euros destinados a pagar despesas de transporte, licenças alfandegárias e outros custos.

A AGAPE, porém, apenas cobrava três mil euros por cada transporte e cerca de 1.300 euros por despesas de armazenamento.

Em 2013, o Ministério Público sueco arquivou um inquérito contra o cidadão por suspeitas do mesmo crime, relacionado com a atividade da Fundação AGAPE.

O despacho de arquivamento ressalvava que o processo poderia ser reaberto se surgissem novos dados.




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