Espaço do Diário do Minho

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15 Abr 2018
Damião Pereira

É costume deixar-se os agradecimentos para o fim. Hoje, é com eles que começamos. Muito obrigado a todos quantos tornaram possível que chegássemos aos 99 anos. É muito tempo. Uma vida longa, repartida entre a boa e má notícia, entre o receio e o gesto encorajador… Todos, sem exceção, merecem ser lembrados. Uns pelo que fizeram, outros pelo que fazem, para que o Diário do Minho se tornasse naquilo que é.

Estamos a um ano do centenário. Perspetivamos o futuro sem deixar de olhar para o passado e ostentamos, com orgulho, o Estatuto Editorial pelo qual nos orientamos e que foi pensado por um dos nossos anteriores diretores.

«O Diário do Minho coloca o bem comum acima dos interesses particulares e não privilegia ninguém, procurando, no entanto, ser a voz dos sem voz», afirmamos. Um sentimento reforçado pela mensagem do Papa Francisco para o 52.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se celebra no próximo dia 13 de maio, na qual o Santo Padre defende «um jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas; um jornalismo feito por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas – e no mundo, são a maioria – que não têm voz».

Acreditamos que a palavra escrita tem influência na mudança de paradigmas, digam eles respeito a modelos de sociedade ou de governação. Entendemos que deve ser usada na defesa dos que mais dela necessitam, seja na denúncia do que está mal, seja no seu uso como meio eficaz na defesa dos ideais que partilham todos os que aqui trabalham.

Somos um jornal de inspiração cristã, o que faz de nós reivindicadores de uma sociedade mais justa. E, enquanto instrumento de comunicação, não esquecemos o compromisso que temos com a Igreja e, em particular, com a nossa Diocese, ao serviço de uma informação o mais possível verdadeira e objetiva, diversificada, completa e ao mesmo tempo formadora, proporcionando uma visão cristã dos acontecimentos do quotidiano, sempre num quadro de verdade e pluralismo.

Recordamos que, há cerca de um ano, prometemos fazer mais, fazer melhor, fazer diferente. Não tem sido fácil. Vamos fazendo caminho numa área que tem sido conquistada a pulso, a digital. Um esforço do qual vamos tendo retorno, refletido no aumento de milhares de visualizações diárias no nosso “site”. Continuamos com uma forte aposta na edição impressa, procurada diariamente por dezenas de milhares de pessoas.

Apesar de nos situarmos numa região específica, o Minho, estamos conscientes de que podemos ultrapassar fronteiras. É uma ideia que ocupa o pensamento de quem dirige este jornal e que, certamente, ganhará cada vez mais força com os incentivos que nos vão chegando, quer por parte dos nossos leitores, quer por parte daqueles que connosco trabalham diariamente para que o Diário do Minho se diversifique ainda mais na informação que presta.

Nesta longa caminhada, estamos certos de que ninguém ficará para trás. Continuaremos a honrar os que construíram a “casa” que é hoje o Diário do Minho. Estamos gratos pela confiança que o Sr. Arcebispo Primaz, D. Jorge Ortiga, e a Administração da Empresa depositam em toda a equipa redatorial. Lembramos a preciosa colaboração do Departamento Arquidiocesano das Comunicações Sociais, do Laboratório da Fé e dos vários arciprestados na atualidade da informação religiosa.

Agradecemos aos nossos colaboradores, assinantes, anunciantes e leitores e amigos, toda a atenção que nos têm dispensado. A todos aqueles que tornam possível a publicação diária do nosso Jornal, também o nosso muito obrigado.

Deixo, por último, uma palavra de agradecimento ao eurodeputado José Manuel Fernandes e à APACRA – Associação Portuguesa dos Criadores de Bovinos de Raça Minhota, que tornaram possível a realização do Concurso “Solidariedade, uma imagem de marca da União Europeia”, destinado a estudantes dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário e profissional e cujos resultados publicamos hoje.

Agradeço às escolas dos distritos de Braga e de Viana do Castelo que se apresentaram a concurso em tão grande número – a edição deste ano foi a mais concorrida de sempre – e, além dos vencedores, felicitamos todos os alunos participantes, cujos trabalhos revelaram elevada qualidade e cuidado na apresentação, sinal de que o nosso Jornal vai ganhando cada vez mais espaço no interior das comunidades educativas.

Neste particular, destacamos o êxito de mais esta iniciativa do Diário do Minho – uma das muitas que o nosso Jornal vai realizar ao longo das comemorações do Centenário, que ocorre a 15 de abril de 2019.

Com os olhos postos no futuro, não nos acomodamos com o que fizemos no passado. Contamos com todos para continuar a merecer a preferência e a confiança de quantos leem o Diário do Minho.



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Damião Pereira - 16 Jan 2020

Passa hoje um ano sobre o falecimento do Sr. Cónego Fernando Monteiro, mas esta é apenas uma data. E digo apenas, porque para nós, colaboradores da Empresa do Diário do Minho, ele somente deixou de «ser visto» quando contornou «a curva da estrada». Busco na memória o poema de Fernando Pessoa e «se escuto, eu […]

Damião Pereira - 10 Set 2017

Ontem, despedimo-nos do José Carlos Lima. A realidade começa agora a tomar conta de nós e as conversas tantas vezes tidas, os momentos de convívio, as gargalhadas sinceras, o seu sorriso nítido, os seus comentários, mas sobretudo o seu talento e disponibilidade vão ocupando a nossa memória.O Jornalista José Carlos Lima – que o Diário do Minho teve o privilégio de ter no seu quadro redatorial ao longo das duas últimas décadas – era o exemplo do que deve ser cada um de nós: um homem íntegro, isento, forte nas suas convicções, um profissional de “mão cheia”, que não sabia lidar com as injustiças e, por isso mesmo, convivia mal com o sofrimento dos outros, a quem tentava dar voz no sentido de reparar o que entendia não estar bem.Da verdade dos factos que contava, fazia valer sempre as suas palavras. Escrevia da forma como via as coisas e era disso que assumia as suas responsabilidades. O resto, a interpretação que cada um fazia dos seus textos – dizia – já não era com ele. Porque ninguém era obrigado a pensar como ele e se limitava a contar a “história” tal como ela era.Já o disse aqui. O Diário do Minho nunca mais será o mesmo sem o José Carlos Lima e o jornalismo também não. A perda é irreparável, porque não foi apenas um profissional da informação que nos deixou… com ele, a verdade e a sinceridade andavam de mãos dadas e caminhavam juntas pela vida.Nesta altura, em que é quase impossível lidar com a realidade, as palavras muitas vezes ditas tornam-se escassas perante tanta incredulidade. O que antes fazia sentido e se encaixava na perfeição é agora ocupado pelo caos que ocupa o nosso pensamento à procura de explicações.Ontem, quando repetimos o seu “até logo, companheiro!”, vimos no rosto de quem esteve presente o carinho que há de perpetuar-se no coração de cada um de nós, onde ocupa um lugar muito especial. Obrigado, José Carlos, por nos deixares ser teus amigos.E aqui, na Redação, onde o nosso olhar se estende pela frieza da sua secretária, agora vazia, e se prepara a edição de amanhã, o silêncio espalha-se em forma de gládio. O espaço físico até poderá vir a ser ocupado. O lugar do José Carlos Lima não!•••Agradecemos, em nome do Diário do Minho, as inúmeras mensagens de condolências recebidas. Não temos palavras para responder a tanta solidariedade demonstrada para com o nosso Jornalista e para com esta Instituição, que sempre teve no José Carlos Lima um dos seus melhores colaboradores.•••Na próxima quinta-feira, dia 14, às 12h00, na Basílica dos Congregados, em Braga, é celebrada uma eucaristia por intenção do nosso colega José Carlos Lima. Agradecemos, desde já, a todos quantos possam comparecer em mais esta sentida homenagem.

Damião Pereira - 8 Set 2017

Zé, bem sabes que não era esta a altura certa para te despedires de nós. Foram 20 anos de convívio diário que ia muito para além do trabalho. As tuas preocupações com tudo o que nos rodeava eram também as nossas, dos teus colegas de Redação, de todas as outras secções da empresa e deste Diário do Minho que não voltará ser o mesmo sem ti.É certo que o trabalho há de fazer-se com a mesma naturalidade com que tu o enfrentavas, que a agenda da Redação continuará com as “observações” do costume, que as dificuldades do dia a dia hão de sentir-se igualmente e que as tuas reivindicações voltarão a ouvir-se sem que tenham a resposta rápida que entendias ser necessária. Mas as coisas são como são e se é verdade que há dias menos bons, também é verdade que quando se nos fecha uma porta Deus tratará, sempre, de nos abrir uma janela.Neste momento, falta-nos em palavras o que nos sobra já em saudades. E mesmo com a “verborreia” que não apreciavas, não podemos esquecer os momentos de boa disposição que volta e meia nos oferecias, os comentários sublimes que dirigias a cada um de nós ou as críticas acintosas que fazias aos políticos e a algumas “figuras” da nossa urbe.São estes amigos, os que deixas no nosso Jornal – que tanto gostavas – e os que facilmente foste conquistando pela vida fora, no Seminário, na Universidade e na “concorrência”, que hoje sentem a mágoa de ter perdido alguém que lhes era muito querido. E nem imaginas a quantidade de amigos que tinhas…Zé, neste até logo, não podia deixar de lembrar-te todos os momentos em que, já depois do fecho do nosso DM, conversávamos, entre muitas coisas bastante pessoais, das dúvidas que tinhas em relação à profissão de jornalista. Disseste-me, várias vezes, que isso não era vida, que nos roubava muito tempo e saúde. Chegaste, até, a experimentar outras andanças. Mas ainda bem que não mudaste de ideias.Recordo-te, também, as conversas que tivemos sobre a fé inabalável que tinhas em Nossa Senhora e no conforto que sentias quando lhe rezavas. Acredito, por isso, que Ela te recebeu no seu regaço, com todo o carinho que um ser humano como tu merece.E do mesmo modo que te despedias dos teus amigos, também nós, hoje, nos despedimos de ti, sem pedir desculpa pelo uso indevido dos direitos de autor: «Até logo, companheiro!».


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