Fotografia: Miguel Viegas

Região de Barroso declarada património agrícola mundial

A cerimónia de entrega do certificado realiza-se no dia 19 de abril, em Roma, Itália.

Lusa
12 Abr 2018

A região do Barroso, que se estende pelos municípios de Boticas e Montalegre, foi declarada património agrícola mundial pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), anunciaram hoje as autarquias.

A cerimónia de entrega do certificado realiza-se no dia 19 de abril, em Roma, Itália, cidade onde está sediada a FAO.

O território do Barroso foi designado primeiro sítio GIAHS – Sistema Importante do Património Agrícola Mundial em Portugal. Trata-se de uma iniciativa da FAO para a promoção e preservação do património agrícola.

“É das melhores notícias que recebemos nos últimos tempos. É o reconhecimento por parte da FAO da forma como produzimos os nossos produtos, bem como da paisagem deste território”, afirmou à agência Lusa o presidente da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga.

Para o autarca, trata-se de um “reconhecimento que vai catapultar os produtos, bem como atrair mais turismo à região”.

O presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves, olha para esta distinção como uma “alavanca de desenvolvimento que é preciso, agora, saber exponenciar” e que premeia “o trabalho esforçado, desenvolvido em condições difíceis, num território também muito difícil”.

“Pode potenciar o desenvolvimento turístico, económico, social e cultural das nossas terras. Pode ser um farol que chame a atenção para o Barroso. Mas esta distinção é também uma responsabilidade para os autarcas”, frisou.

O Barroso é uma região agrícola dominada pela produção pecuária e pelas culturas típicas das regiões montanhosas, onde se mantêm as formas tradicionais de trabalhar a terra ou tratar os animais.

As principais atividades são a criação de gado e a produção de cereais, o que deu origem a um mosaico de paisagem em que as pastagens antigas, as áreas de cultivo (campos de centeio e hortas), os bosques e as florestas estão interdependentes.

O comunitarismo é ainda um dos valores e costumes característico desta região, intimamente associado às práticas rurais de vida coletiva e à necessidade de adaptação ao meio ambiente.

O processo de candidatura à classificação do Barroso foi iniciado em 2016 pela Associação de Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega (ADRAT), tendo sido, depois, formalizada junto da FAO pelo Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

A candidatura envolveu ainda a Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN), a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e a Universidade do Minho (UM).

Os sítios GIAHS (Globally Important Agricultural Heritage Systems) são sistemas agrícolas vivos, envolvendo as comunidades humanas numa relação intrincada com o território, com a paisagem cultural e agrícola, bem como com o ambiente biofísico e social.

A FAO é uma organização intergovernamental que tem como objetivos alcançar a segurança alimentar para todos e garantir que as pessoas tenham acesso a alimentos de boa qualidade para que possam levar uma vida ativa e saudável.





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