Espaço do Diário do Minho

O mistério da palavra e a verdade
30 Mar 2018
Abel de Freitas Amorim

Alguns pensadores e filósofos concebem a palavra ou a linguagem humana como a encarnação do pensamento. A sua função no Homem, visto não haver pensamento sem palavras, mesmo que apenas imaginadas e não escritas, consiste em que o pensamento encarna na linguagem assim como o espírito ou a alma encarna no corpo.

Mas o grande mistério é saber, por exemplo, no crescimento e desenvolvimento de uma criança se primeiro adquire as ideias ou as palavras.

Assim como dentro das várias correntes do pensamento positivista nenhum dado nos é dado, com o mínimo de clareza, se as coisas são os significantes das palavras ou se as palavras são os significantes das coisas.

Na pré e pós modernidade os positivistas e existencialistas entenderam a possibilidade de uma metafísica apenas por via científica (ex. Nietzsche). Este entendimento predomina ainda nos tempos atuais, intimamente ligado ao secularismo. Nada existe para além da experiência científica e do observável.

Porém, o Homem depara-se aqui com uma barreira na tentativa de um saber científico perfeito e puro que não é acessível ao ser humano. Antes da ciência existem as ideias ou o pensamento e a linguagem ou as palavras. Por isso a ciência não é absoluta como um ente ou saber divino. Um dado ou um produto científico de hoje amanhã está obsoleto.

Autores alegadamente não crentes, na atualidade, a partir de escritos ou textos da Grécia Antiga têm desenvolvido trabalhos de tradução da Bíblia Sagrada que, quando feita com seriedade científica, não põe em causa, minimamente, as verdades dos Evangelhos da Igreja Católica.

Mas, mesmo que não houvesse nada escrito, a linguagem ou as palavras, os textos escritos e o conhecimento, que nos têm sido transmitidos ao longo de mais de vinte séculos pelos Santos Padres (Papas), pela designada patrística, pelos Santos e Santas reconhecidos pela Igreja Católica, pelos sábios e doutores da Igreja, pelos bispos, pelos presbíteros e pelos diáconos, são muito mais do que suficientes para e revelação da Verdade de Jesus Cristo, Deus feito Homem.

São João Evangelista, apóstolo de Jesus Cristo que acompanhou o seu Mestre Jesus, viu e ouviu, testemunha-nos que Jesus falava aos homens do seu tempo, crentes e não crentes. Aos que acreditaram que a palavra de Jesus era a própria palavra de Deus, Jesus disse-lhes: «se vós permanecerdes na palavra sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres», João 8, 31-33.

Em forma de encerramento do ciclo de conferências e debates “Nova Ágora”, realizado, em Braga, no passado dia 16 do corrente mês de Março, D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz, depois de esclarecer as diferenças entre utopia e sonho, além da citação de outras verdades, disse-nos: «propor o lucro, o consumismo e o prazer como metas de felicidade é simplesmente uma utopia. Até o homem mais rico deste mundo pode ser um refém solitário na sua mansão.

É que, amizade, amor e estima recíproca não têm preço». D. Jorge Ortiga, em nosso entender, fala-nos de dois temas fundamentais – a liberdade de que dispomos face à dimensão do verdadeiro e inevitável sentido humano e a dádiva do amor.

Apesar da riqueza e dos bens materiais não deixa de haver aprisionamento, a não liberdade e a infelicidade pelo não encontro, com toda a certeza, da verdade no amor de Deus. Quando é inexistente a dimensão da verdade e do amor em Deus, que é incompatível com a solidão, o amor do e ao próximo, normalmente, está ferido de morte ou moribundo.

Nesta época da quaresma que tem o seu término na Páscoa, celebração da Vida e um dos acontecimentos principais na Igreja Católica Romana. É a morte e Ressurreição de Jesus Cristo, Deus humanado. É a consumação da palavra de Deus, livremente oferecida a todos os homens.

É a vitória do amor, da Verdade absoluta e da vida sobre a morte. É a fé e a esperança de que a morte, mesmo para nós afetados pela imperfeição, não é definitiva nem o caminho para o nada.



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