Espaço do Diário do Minho

Já não se aguentam os “Queixinhas”
23 Mar 2018
Maria do Céu Nogueira

Chove e a chuva é chata. Pois é, mas a chuva faz muita falta e é pena que não chova mais ainda. A chuva é mais útil que chata. Está frio. Pois está, mas é tempo dele e devíamos estar contentes ao pensarmos nas temperaturas negativas que acontecem por essa Europa fora.

Está calor, abafa-se, nem à sombra se pára, até os gelados derretem e há casas que até fecham porque, avariado o ar condicionado, ninguém as procura e o dono diz que já telefonou mais de vinte vezes e que o governo e as autarquias deveriam legislar…

E agora que a chuva não vem, estamos servidos, não temos água para as hortaliças nem para os animais. É triste, meu Deus, como isto é triste e é que não podemos fazer nada. Se governo e autarquias não fazem…

Ora bolas, meus senhores! Bolas para as vossas queixinhas idiotas! Sei que Portugal não é um Paraíso, mas dou graças a Deus todos os dias porque aqui me deito e aqui me levanto serenamente.

Não oiço as bombas dos países em guerra, não oiço os gritos dos que morrem num abrir e fechar de olhos, saio à rua sossegada, agasalho-me se está frio, levo o guarda-chuva se for caso disso. E na Síria?

Sim, li hoje o Expresso online de 1 de Março e o desespero entrou em mim de tal modo fundo e furibundo que receio que abale a minha habitual serenidade e esperança na humanidade. Mas que monstros à solta se permitem aniquilar um País tão belo como a Síria? Sim, belo e de gente feliz e afável. Gente como nós. Sim, tive a felicidade de estar lá enquanto os monstros dormiam.

Estive em Damasco, Alepo, Palmira, Ghouta… Percorri campos cultivados com toda a espécie de verduras, tudo muito alinhadinho, tudo asseado e limpo, tudo a parecer um país de sonho. E agora? O jornal dá ao artigo o título de “CARNIFICINA” e diz que em 2017 morreram na Síria 10.204 civis, sendo desses, 2. 298 crianças.

A Rússia, o Irão e o senhor Bashar al-Assad e não sei se a América também, decidiram acabar com a Síria, não antes de infligir aos seus habitantes os maiores horrores.

Porquê? António Guterres pediu o cessar-fogo imediato. Putin, mostrando-se bonzinho e compreensivo, deu, por dia, umas horas de tréguas para poderem retirar os feridos e meterem-se em esconderijos subterrâneos onde morrem de frio, de medo, de fome.

E isto porquê? Porque não aceita o cessar-fogo. Porque não dispensa o seu regozijo de matança. E pode? Estamos no século XXI da Era de Cristo. O resto do Mundo assiste, impassível, a isto?

Não há um Tribunal que intervenha nestes crimes contra a Humanidade? Há, eu sei que há! Não actua, porquê? E nós, neste pequenino e belo País à beira-mar plantado, bem instalados no nosso conforto e sempre com as nossas queixas bobas, não podemos fazer nada? Nada mesmo, a não ser rezar?



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