Espaço do Diário do Minho

A Semana Santa é em Braga
12 Mar 2018
Narciso Mendes

A cidade de Braga está a viver – e vai fazê-lo ainda com mais intensidade, como em mais nenhuma outra no país – a época quaresmal, preenchida dos mais variados atos religiosos que culminarão com as Solenidades da Semana Santa.

É, pois, tempo de preparação para tão notáveis e esplendorosos eventos se transformarem em verdadeiras manifestações de fé – e de respeito – por forma a dignificá-las. E cujos quadros bíblicos, de rara beleza, sejam capazes de marcarem cada cidadão que nos visite.

Temos, felizmente, tudo o que é preciso para coroar com todo o sentido e brilho o programa da época quaresmal, anunciado pelo calendário litúrgico, dedicado à paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Sendo, esse, o melhor dos “marketings” a que podemos deitar mão a fim de que possamos, paralelamente ao turismo sazonal, criar a atratividade necessária para chamar à nossa cidade todos quantos comungam e vivem o cristianismo.

Para isso, é de elementar importância termos em conta o comportamento de todos, sobretudo no antes, durante e após cada passagem das procissões que percorrerão as ruas da Cidade dos Arcebispos.

De modo a que não sejam momentos de alarido e confusão ao estilo de arraial, com barraquinhas de farturas, etc. – como, tendencialmente, se vem verificando.

Isto, porque se trata de momentos intrínsecos ao drama, não só de uma mãe que acaba de perder o seu único filho, Jesus, mas também para comungarmos do arrependimento de todos quantos O mataram, tornando-nos, como cristãos, herdeiros de uma consciência pesada até aos dias de hoje. O que nos fará celebrar com o sábado de aleluia, através da Sua ressurreição aos céus, o momento da nossa redenção no domingo de Páscoa.

Agora que a nossa Bracara Augusta vem registando cada vez maior número de visitantes, plausível se torna que se aproveite esta onda de modo a que se faça sentir em cada forasteiro a vivência de uma experiência única e inolvidável; de levarem na partida uma espécie de espólio místico-religioso de uma cidade onde não faltam sinais do seu espírito cristão e vestígios da Roma antiga e Imperial que foi berço do cristianismo; de apreciarem e registarem, em belas imagens, toda monumentalidade que Braga encerra.

Em jeito de sugestão e como bracarense, há largos anos a vivenciar as solenidades que decorrem na minha cidade, entendo que se deveria apostar um pouco mais nos coros espalhados ao longo de cada rua, sobretudo em locais estratégicos de passagem da Procissão do Ecce Homo (Fogaréus) e da do Enterro do Senhor, em atmosfera de extrema melancolia.

Em que os coros locais, escolhidos, se ensaiassem de modo a espalharem cânticos, em tons mais graves, adequados à tristeza do momento. Também gostaria que, se não inventassem, a reboque da modernidade ou de algum idiotismo, figurantes deslocados do cenário, formando quadros que em nada acrescentam ao sentido bíblico do ato.

Assim sendo, bem poderemos afirmar – com toda a convicção – de que a Semana Santa é em Braga que se vive. Onde se conjugam vários fatores como o de sermos a Roma portuguesa; de possuirmos alguma capacidade hoteleira e o bem receber.

Tudo isso, tem permitido que se registe um forte crescimento de turismo, desde 2014, na ordem dos cerca de 20% ao ano. O que, para além das 3000 camas disponíveis nos criou, já, um défice de mais de mil.

Procura que também se deve, em parte, à proximidade com Espanha, sobretudo de gente vinda da nossa vizinha Galiza, bastante apreciadora da riqueza gastronómica bracarense. Razão pela qual se verificou um aumento de 26%, em 2017.

Só para concluir direi que, pelo menos por agora, os nossos autarcas resistam à tentação de não engendrarem qualquer tipo de “barracada” no Centro Histórico. A fim de não empecilharem os espaços, verdes ou outros (que ainda os há), por forma a serem apreciados por quem visitar a capital minhota. E que S. Pedro nos bafeje, com algumas abertas, no tempo.



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