Espaço do Diário do Minho

Devolver a cidade é preciso…
12 Fev 2018
Albino Gonçalves

Braga viveu estas últimas semanas um frenesim jamais visto com o cenário reportado à “Cidade Europeia do Desporto” (CED) e à final da “Taça CTT”, transformando a sua principal “sala de visitas” num amontoado de tendas de elevada dimensão, ajustadas ao prestigiado evento, de grande impacto desportivo a nível local, regional e nacional.

Os bracarenses agradecem a inesgotável energia e dinâmica de todos os que se envolveram em proporcionar à “Cidade dos Arcebispos” acontecimentos culturais que promovam o acolhimento de visitantes e fortaleçam o turismo nacional e internacional.

Seria uma injustiça negar a importância da capital do Minho como marco histórico à luz da grandeza espalhada por todo o país e além-fronteiras das duas iniciativas de carácter cultural e desportivo, de boa organização e fixadas no desafio de mobilizar todos os munícipes ou visitantes na promoção de uma vida saudável através do exercício físico.

Por outro lado, a “Final Four da Taça CTT” fora do estádio, e exageradamente patente em quase todo o terreno desde a Praça José Veiga à Avenida Central, através da instalação de grandes coberturas, desfigurou um espaço urbano que devia merecer outro cuidado para com a comunidade que não aprecia “futebóis”, impedida que foi de usufruir dos seus hábitos quotidianos pela invasão de estruturas metálicas e grandes quantidades de película. Ironicamente até se questionava se o Parque de Campismo e Caravanismo da Ponte tinha sido transferido para a zona em apreço.

A cidade de Braga não tem grandes alternativas de espaço físico para realizar eventos que atraiam grande aglomerado de pessoas ou na montagem de estruturas compactas como inesteticamente aconteceu na Praça José Veiga e na Avenida Central.

As sugestões dos observadores nas mesas do café ou encostados às Arcadas apontavam como solução viável e plausível de agradar a “gregos e a troianos” a distribuição das grandes coberturas pela Praça do Município ou no Pópulo e deixar o espaço pedonal na Avenida Central, não só pela harmonização no âmbito das acessibilidades como para facilitar a participação na programação oferecida pelos organizadores.

Já com a realização da gala alusiva à “Cidade Europeia do Desporto” e do Sporting Clube de Braga, ao estilo “glamour” da passadeira vermelha, neste caso, circunstancialmente azulada, instalou-se mais uma estrutura de grande dimensão em frente ao Theatro Circo, para dar passagem restrita a tão nobres e especiais “estrelas” convidadas cá do burgo ou distintas personalidades dos quadrantes institucional, político, desportivo ou religioso. Outras não tiveram o privilégio de pisar a alcatifa de “Hollywood bracarense” e, discretamente, entraram pela lateral. Os desafortunados que não puderam assistir ao espetáculo e numa caminhada serena pela Avenida da Liberdade eram obrigados a circular condicionados pela estrutura colocada no espaço público à entrada da sala de espetáculos em noite em que, afinal, nem se previam aguaceiros, chuviscos ou chuva forte.

Aplaudida a conquista da final da Taça CTT para a cidade de Braga até 2020 e o desenrolar da CED, parece-nos pertinente aconselhar o presidente da Câmara Municipal a evitar a montagem de estruturas de cobertura em zonas como a Praça José Veiga e a Avenida Central, evitando ferir sensibilidades paisagísticas ou ambientais, interrompendo o funcionamento do chafariz central e dos dois laterais, impedindo o uso dos bancos ou a circulação pedonal, devolvendo a cidade como um direito que assiste aos cidadãos e um dever de quem está incumbido na sua gestão pela equidade. Acreditamos que ele vai considerar!



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