Espaço do Diário do Minho

Um homem do Norte…!
22 Jan 2018
Narciso Mendes

Onde estiver um homem e uma mosca instala-se o conflito: ela porque quer pousar em tudo quanto lhe apetece, enquanto ele procura, por todos os meios, evitar que tal aconteça, afastando-a dos seus propósitos e, às vezes, esmagando o próprio inseto.

Mas se estiverem duas pessoas o conflito já pode passar a ser outro: uma vez que se trata de dois seres racionais, passando a ser do interesse de cada um deles defender os seus pontos de vista. No entanto, se estiverem dois grupos de pessoas: aí começam a ser equacionados, para além dos interesses de cada um dos lados, as pretensões a que se propõem levar a efeito.

Para além disso, se o aglomerado de gente for de tal ordem, com imensas cabeças a pensarem, já se começam a separar por grupos de ordem de ideias: tantos quantos os coincidentes nos mesmos propósitos. Ou seja, constituindo-se – do ponto de vista democrático – em partidos políticos, elegendo o seu timoneiro.

Daí, ter decidido extrair um texto que a seguir transcrevo, cujo autor é irrelevante aqui mencionar, mas que entendo fazer todo o sentido pela atualidade decorrente. Muito a propósito das escolhas do presidente de cada um dos partidos políticos nacionais, como no caso do recentemente eleito Dr. Rui Rio – um homem do norte…! – para líder do PPD/PSD:

“Nos tempos do Santo Condestável, Nun’Álvares Pereira, eram rapazes de pouca idade, com espírito aventuroso e irrequieto dos jovens, insofridos nas pelejas, mas obedecendo cegamente ao chefe, que com eles se fez a campanha e se assegurou a independência de Portugal!”

Hoje, como então, espíritos novos se esperavam para se fazerem as reformas de que o país precisa; sendo mais fácil encontrá-los em novos do que em velhos embora, hoje em dia, haja jovens bem mais gastos, por interesses e ambições de enriquecimento rápido, do que aqueles que a vida desgastou. Conhecendo gente com alguma idade a demonstrarem uma certa mocidade mental e agilidade física. Alguns deles bem destacados, como os grisalhos do momento: o Dr. R. Rio aos comandos do PSD e o Dr. António Costa à frente do Governo do PS.

Apesar de não ser militante, apoiante ou simpatizante do PSD, o que conheço do seu novo líder é o facto de ter exercido o cargo de Presidente da Câmara M. do Porto de quem não ouvi, nem li, qualquer acusação de desonestidade. Isto, para além de não ter dado o braço a torcer no diferendo com o Futebol Clube do Porto, separando – com toda a firmeza – as águas entre a política e bola.

Sem nunca se ter deixado intimidar, ou vergar, por outro senhor – de pronúncia nortenha – que respira, sofre, ama e dorme a pensar no seu FCP, Pinto da Costa. Daí, estar plenamente convicto de que Rio irá, mesmo, lutar para que o PSD deixe de ser um clube de amigos ou uma agremiação de interesses individuais.

Pelo que, como cidadão português, me julgo com direito a opinar, dizendo, dele, que não é pessoa de muito palrar como um papagaio dos muitos que há por aí. E que se irá reunir de uma equipa liderada por outra gente de maior gabarito, com um líder parlamentar que se diferencie, pela positiva, do tal César “sem império”, líder parlamentar da bancada socialista, ou da sua vice, démodé, Ana C.M..

Para isso, terá de rodear-se, no próximo Congresso, de alguns dos melhores santanistas e dos seus mais fiéis apoiantes, tendo em vista a união de todos os sociais-democratas em torno do seu partido. A fim de que se não tiver a vitória nas eleições parlamentares de 2019, pelo menos seja uma oposição que dignifique o debate na democracia portuguesa, uma vez que já foi um deputado com muito relevo.

Finalmente, o que espero do Dr. R. Rio é que demonstre ser capaz – contendo as rivalidades no seio do seu partido – de exigir que seja feita política com verdade e honestidade. Predicados que sejam argumento, sério, como alternativa a este Governo apoiado nas esquerdas radicais. Não esquecendo – nunca – o interior e o norte do país de que é oriundo.



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