Espaço do Diário do Minho

O PSD e as eleições internas
11 Jan 2018
Abel de Freitas Amorim

Um partido político é uma organização social, voluntária, com caráter de permanência e, geralmente, com duração indeterminada, que luta pela aquisição e exercício do poder político de um país ou de uma nação.

Esta organização social, com personalidade jurídica, adquire o direito do exercício do poder, nos países democráticos, através de meios legais anteriormente estabelecidos.

O PSD, Partido Social Democrata, enquadra-se neste tipo de organizações sociais e é um partido essencial do nosso regime democrático, pós 25 de Abril de 1974. Apresentam-se como candidatos a liderar o PSD duas personalidades bem conhecidas e com ideologias que, devendo ser muito mais aquilo que os une do que aquilo que os separa, parece que são antagónicas ou de partidos diferentes.

Face a declarações públicas do candidato Dr. Rui Rio e de um dos seus principais apoiantes a nível nacional vamos analisar, em síntese, apenas três equívocos, a saber: se o PSD não mudar, acaba; se o PSD não optar pela mudança então o melhor é votar no PS; e a questão da “eutanásia”.

Disse um Prémio Nobel português, Egas Moniz, que “um médico que apenas sabe de medicina nem medicina sabe”. Logo, um economista que apenas sabe de economia nem economia sabe. O PPD/PSD é um partido popular e social-democrata ou da democracia social. O PS é um partido socialista. Alguns teorizam que é socialista mas é democrático.

Porém, ontologicamente designa-se apenas por partido socialista e o que mais faltava era não ser democrático… Mas, o grande equívoco de Rui Rio é comparar o PSD aos partidos socialistas da Grécia e da França, que quase acabaram. Esqueceu os socialistas da Itália, que mudaram de designação, e dos partidos socialistas puros, como o português, da maior parte dos países de leste que também acabaram. Pergunta-se então qual a razão ou a lógica de Rui Rio não considerar nem comparar todos esses partidos socialistas que acabaram ao Partido Socialista em Portugal?

O segundo equívoco consiste, segundo Rui Rio e alguns apoiantes, que se o PSD não optar pela mudança então votam no PS. Mas isso é o que eles têm feito desde que publicamente afrontaram uma liderança democraticamente eleita! A mudança consiste neles próprios… A lealdade mínima, a ética a liberdade de não estar ou estar no partido com algum respeito pelas regras democráticas, tudo isso é subestimado. Eles são a vanguarda iluminada da tal organização social.

É o xuxialismo dos interesses, é o maior ou menor volume de trabalho nos grandes escritórios de advogados, etc. Os socialistas jogam tudo neste campo e na comunicação social para não lhes acontecer o mesmo que os seus congéneres europeus. É bom recordar que também no tempo do Dr. Sá Carneiro tentaram uma OPA ao PSD mas o tiro escapou-se-lhes pela culatra…

Relativamente à “eutanásia” disse o Papa Francisco, no primeiro dia do ano, na Basílica de S. Pedro “servir a vida humana é servir a Deus, e toda a vida – desde a vida no ventre da mãe, até à vida envelhecida, atribulada e doente, à vida incómoda e até repugnante – deve ser acolhida, amada e ajudada”. Em declarações públicas Rui Rio diz que pessoalmente concorda com a “eutanásia”.

Tem esse direito mas nós também temos o direito de lhe dizer que a comparação do PSD aos socialistas europeus não é uma mera circunstância… Os socialistas e comunistas em Portugal são conservadores porque normalmente tomam medidas tendo em atenção preconceitos ideológicos do passado, colocadas no caixote da história, mesmo na pátria dos seus fundadores.

Adotando a EU a economia de mercado, livre circulação de bens e serviços e o liberalismo económico regulado, falar de esquerda ou de direita é uma falácia.

Havendo uma economia transparente e sustentada com certeza que não há falta de medicamentos nos hospitais, não há atrasos enormes nos serviços e cuidados públicos, proteção civil sem meios e totalmente descoordenada, mais de uma centena de mortos por, maioritariamente, evidente falta de socorro atempado e a ludibriação de dar ao povo com uma mão e tirar com as duas. É a chamada austeridade manhosa… Rui Rio, pelo menos, sabe isto muito bem.

Para a chamada esquerda e para Rui Rio, no espaço europeu como os parâmetros de governação e as regras são para cumprir, independentemente dos partidos, a diferenciação é adotada por eles impondo causas fraturantes na sociedade.

É o aborto livre, é a equiparação do casamento gay, é a desvalorização das famílias tradicionais, é a possibilidade da mudança de sexo antes da maioridade e sem regras, é a imposição da eutanásia “por dá cá aquela palha”, etc. Enfim, é o falacioso avanço civilizacional de que nos falava o famoso primeiro-ministro José Sócrates!



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