Espaço do Diário do Minho

Investir na Família
11 Jan 2018
Silva Araújo

1. Neste começo de ano penso ser mais que oportuna uma reflexão sobre a instituição familiar.

2. Não é conveniente que o homem esteja só (Génesis (2, 18). Surgiu então o matrimónio, definido pelo Vaticano II «comunidade de vida e amor» («A Igreja no mundo contemporâneo», 48). «Matrimónio e família constituem um dos bens mais preciosos da humanidade», lembrou João Paulo II no início de «Familiaris Consortio». E «o bem da família é decisivo para o futuro do mundo e da Igreja», escreveu o Papa Francisco (Amoris Laetitia, 31).

3. Entendo a família como comunidade de pessoas que se aceitam, se respeitam e se amam. Comunidade de pessoas. O outro é um ser humano; não uma coisa ou um objeto de que uma das partes se serve. Não uma espécie de guardanapo de papel que, uma vez usado, se deita fora.

Os dois membros do casal são iguais e diferentes. Iguais em dignidade e em direitos. Diferentes, porque um é homem e outro, mulher. E não há igualdade de género que elimine esta diferença. O facto de serem diferentes não significa que um seja mais do que o outro. São diferentes e complementares. As diferenças são enriquecedoras.

4. Quando resolvem casar, homem e mulher tomam a decisão de caminharem na vida lado a lado (não um a reboque do outro), de mãos dadas, executando, com a participação amorosa de ambos, um projeto comum. Casar é decidir resistir à tentação do egoísmo e do isolamento para conviver com o o outro e se preocupar com o seu bem.

Esta decisão é tomada para toda a vida. É inconcebível um amor a prazo. É inaceitável que um diga ao outro: amo-te enquanto mantiveres essa frescura e essa vitalidade.

5. Comunidade de pessoas que se respeitam. Que se tratam como seres humanos e filhos de Deus. Que aceitam as legítimas diferenças entre os dois. Que se aceitam como são: com qualidades e limitações. Pessoas unidas pelo amor vivido como doação e serviço e não exploração do outro.

Um amor que cresce e se aperfeiçoa, com o andar dos tempos. Um amor adulto e oblativo, que procura o bem do outro e se preocupa mais em dar do que em receber.

6. É contrário à verdadeira natureza da família um ambiente de agressividade, seja física seja verbal. A violência doméstica é a negação do que deve ser a família.

As divergências que vão surgindo ao longo da vida, porque homem e mulher continuam iguais e diferentes, resolvem-se através do diálogo. Diálogo que consiste em falar e em ouvir. Em escutar e ponderar as razões do outro e não em impor discutíveis pontos de vista. E o bem do casal e da família pode recomendar que se saiba ceder.

Que se saiba ser razoável nas exigências que se fazem. Que se saiba reconhecer os próprios erros. Que se saiba desculpar e pedir desculpa; perdoar e pedir perdão. Que assumam a responsabilidade de contribuir, na medida em que lhes é possÍvel e o bom senso recomenda, para que o outro se sinta feliz e se sintam felizes os filhos que ambos decidiram trazer è vida.

É muito útil o uso frequente de três palavras recomendadas pelo Papa Francisco: com licença, obrigado, desculpa.

7. Salvos os casos de esterilidade natural de uma ou de ambas as partes, marido e mulher são vocacionados para o exercício de uma paternidade consciente e responsável. O nascimento de um filho não deve ser fruto de um descuido mas de uma decisão consciente tomada pelos dois membros do casal, tendo em vista o dever de o criar e educar e de o ajudar a ser feliz.

8. Desgraçadamente desencadeou-se uma campanha demolidora da família. Mas há princípios e valores que devem permanecer inalterados e sempre respeitados. O pior que pode suceder a uma pessoa é a destruição da própria família. É a desunião entre os membros da família. É a existência de filhos que andam no jogo do empurra ou são «comprados» por uma das partes que quer hostilizar a outra.



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