Espaço do Diário do Minho

A caducidade do materialismo/a perenidade da ética
11 Jan 2018
Artur Gonçalves Fernandes

As ideologias laicizantes, na sua concretização ao longo dos tempos, têm demonstrado que nunca conseguem proteger nem garantir cabalmente o verdadeiro bem-estar das populações. É que na sua base está uma filosofia antiética, embora os seus seguidores apregoem o contrário. Na verdade, elas bordelescam a profundeza da onticidade do ser humano que inclui um carácter imanente de religiosidade.

O materialismo sempre alienou toda e qualquer comunidade humana. O progresso social e os bens patrimoniais das pessoas que o materialismo, por vezes, lhes proporciona, são profundamente efémeros ou negativamente duradoiros. A essência humana exige muito mais do que um simples bem-estar material.

Como se explica o número assustador de suicídios nos países muito desenvolvidos? O materialismo arrasta o homem para uma ânsia mórbida de consumismo desordenado. Esta situação, por si mesma, vai originar no homem o desprezo dos valores éticos que são indispensáveis nas relações humanas.

Neste contexto, até as crises e as catástrofes, quando cabalmente analisadas, também servem para alertar as pessoas para os valores morais que, muitas vezes, são esquecidos nos períodos de grande prosperidade. Temos obrigação de os desenvolver nas relações humanas em todos os períodos da nossa existência.

Se o homem não esquecesse a sua dimensão moral e fosse, por isso mesmo, mais honesto, mais justo, mais humano e mais solidário, o mundo seria menos desigual e as crises económicas e sociais seriam em menor número e menos traumatizantes. O mundo está a tornar-se excessivamente complexo e muitas pessoas não se sentem felizes.

Predomina o egoísmo, a ira, a indignação, o cinismo e uma insatisfação contínua, porque falta a educação, a justiça, a compreensão e a solidariedade humana, que foram absorvidas por um espírito materialista cego e desumano. Se o homem se preocupasse mais com o que ele é em si e não se deixasse dominar apenas pelo ter, não viveria tão ameaçado pela infelicidade.

A grande prioridade da vida moderna encontra-se na tão necessária formação de um carácter correto e de uma educação harmoniosa que deve ser obtida, tanto em casa, como na escola e em outras instituições sociais educativas. Só assim se poderá aproveitar adequadamente o enorme progresso tecnológico e científico.

Os sistemas educativos laicizaram-se, paganizaram-se, desvalorizando a essência formativa do homem. A ascensão dos jovens na escolaridade não corresponde a uma aquisição de uma cultura implicadora de um saber global correto.

Os novos valores culturais analfabetizaram as pessoas em relação a muitos saberes tradicionais que são indispensáveis para um crescimento sadio, comparado e integral. Estamos a atravessar um período, em muitos aspetos, caraterizado por uma cultura inculta. E o mais grave é que este estado de coisas penetrou em muitos meios veiculadores de vários tipos de conhecimento.

Nas conversas diárias e nos Meios de Comunicação Social veem-se e ouvem-se frases idiomáticas, máximas, axiomas e aforismos populares todos truncados por pura ignorância, mas são transmitidos como corretos. A diversidade dos conhecimentos modernos não formam uma verdadeira e solida sabedoria.

Até os analfabetos tradicionais se sentem ofendidos na sua sapiência oral e experimentalmente adquirida. É por estas e por outras razões que os países estão a ser governados por tantos ignorantes e incompetentes que andam às apalpadelas na procura das soluções para os problemas das suas comunidades.

Enquanto o ser humano puser os bens materiais acima dos valores morais, estéticos e espirituais, não tem qualquer futuro. Assim, nunca será capaz de alcançar uma forma de viver genuinamente digna. Só quando o homem se der conta da necessidade dos valores permanentes da vida é que escapa à sua própria desilusão e frustração. Os jovens não aprendem o valor da disciplina, da responsabilidade, da urbanidade, da dignidade, da ética e do civismo.



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