Espaço do Diário do Minho

AJUSTAMENTOS Nº 291 – A radical solução para a institucionalização da democracia ética
20 Dez 2017
Benjamim Araújo

A radical solução está, não apenas na descoberta, através da investigação das relações e dos imperativos transcendentais da essência do ser da nossa ôntica natureza, mas, paralelamente, na concreta vivência do nosso comportamento existencial, através da possível conversão da mente e da emoção inteligente, da integração no todo, da sua conexão e da sintonização da pessoa em congruência com as relações inerentes ao seu ôntico ser.

Por vezes, porém, a solução está acriticamente deslocada. Esta é uma maneira inteligente de ver, de confirmar e de apreciar, segundo a Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, relativamente aos que, petulante e imperativamente, “se consideram donos e senhores do mundo”, por vezes com impactos negativos e desastrosos nos destinos das nervosas e ansiosas populações por eles, despótica e autoritariamente controladas e espezinhadas.

Também deslocados estão aqueles políticos que, particularmente em véspera de eleições e em nome de Deus, em que acreditam ou não, pedem às populações, para o seu bem, que neles tenham fé e crença no seu destino.

Também deslocadas estão as crenças religiosas ou confessionais que, para o destino bom e eficiente das populações, assentam, exclusivamente, nos favoritismos de Deus e nas forças espirituais, que em tudo sublevam a materialidade das motivações da nossa ativa vida existencial.

Deslocadas também estão as astutas forças políticas quando, à sua maneira, se subordinam e se deixam controlar e gerir pelos fortes e extasiantes poderes económicos e financeiros.

Deslocadas estão todas as igrejas, religiões e confissões quando buscam, interesseira, individual e subjetivamente, a disciplina limitadora, o prestígio, a fama, a vanglória e o domínio.

Deslocados estão, dentro do caudaloso ribeiro social, por interesses acariciadores, os globalismos, as fragmentações, divisões, separações e roturas, como estimuladoras da impotência global.

A solução, no dizer categórico do insigne jornalista Dinis Salgado (Diário do Minho, 6/9/17) “não está na deslocação para a partidocracia, que criou e mantem vícios que não são fáceis de debelar, levando muitos, tais como os embusteiros, trampolineiros, corruptos e vilões, a serem tidos como amigos e defensores do fantasioso povo, a viverem à sombra da falsa democracia e a serem tomados por valores, critérios e atitudes de vida”. E mais e mais diz o excelente escritor: “enquanto o povo é espoliado, roubado, humilhado e ofendido, os saqueadores, corruptos e trampolineiros continuam à solta(…), quando um certo e enganoso fundamentalismo ideológico, político, cultural e económico por aí vagueia”.

Relativamente ao enunciado deste artigo, a radical solução para a institucionalização da democracia ética, creio que é a essência do ser da ôntica natureza humana. Esta essência é o facto de ser una, relacional e transcendental. Este simples e intemporal ser goza, desde o início da sua criação, por Deus, das inatas potencialidades ativas de autonomia, superadoras de todas as circunstâncias e condicionalismos existenciais. Goza das potencialidades ativas de liberdade e de responsabilidade.  Como livre e responsável, assume-se, radicalmente, alma mater de todas as relações transcendentais, padrão da dinâmica evolutiva e comportamental de todas as potenciais estruturas bio psíquicas que envolvem, em si, toda a compreensão sobre a vida, o amor, a paz, a fraternidade, cooperação, solidariedade …com o ôntico ser humano, solução radical da democracia ética.



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