Fotografia: Avelino Lima

Arquidiocese de Braga prepara nova equipa missionária para Pemba

Candidatos para 2018 começaram ontem a ter formação.

Jorge Oliveira
3 Dez 2017

O Centro Missionário da Arquidiocese de Braga (CMAB) iniciou ontem o plano de formação de voluntários para o ano 2017/2018, no âmbito do projeto de cooperação missionária entre as Dioceses de Braga e Pemba – Moçambique. O objetivo é renovar a equipa missionária que está instalada na paróquia de Santa Cecília de Ocua, naquele país africano, constituída por um sacerdote e por dois leigos.

Neste encontro inicial, a coordenadora do CMAB, Sara Poças, apresentou aos candidatos presentes o projeto “Salama!” e explicou como vai ser a formação que está aberta a pessoas com mais de 23 anos de idade.

A equipa que se encontra em Moçambique (o padre Paulino Carvalho, a arquiteta Sofia Vilar e o designer António Simões) iniciou a sua missão em julho deste ano e será substituída em julho de 2018. Até lá decorrerão 17 encontros (semanais ou quinzenais) de formação, uma caminhada/peregrinação e o retro final. A seleção dos novos candidatos será feita em abril.

Daniela Macedo, 28 anos, de Braga, é uma das leigas interessadas em abraçar esta missão na paróquia de Ocua. Atualmente é militar, mas está na disposição de largar a sua carreira para realizar o sonho antigo de fazer uma experiência missionária.

«Faço parte da Função Pública e se for selecionada para este projeto tenho de abdicar do meu emprego e dizer não a uma vida estabelecida», disse, antes do início do primeiro encontro de formação, no Centro Pastoral da Arquidiocese.

Além do emprego, esta voluntária está disposta a deixar a família (pai e mãe) para ajudar o centro de saúde de Ocua na parte de primeiros socorros.

Rui Vieira, um jovem de Alijó (Vila Real), e Susana Magalhães, de Antas (Famalicão), são outros potenciais candidatos a um lugar na equipa do “Salama!”. Já com experiência de voluntariado missionário durante um ano em S. Tomé e Princípe, pelos Leigos para o Desenvolvimento, este casal de namorados veio a Braga conhecer o projeto missionário da Arquidiocese de Braga.

«A ser possível, o objetivo é irmos os dois. Podemos trabalhar na missão pastoral, dinamização comunitária, educação e formação», disse Rui Vieira.

A equipa missionária de Braga instalada em Ocua, além de ter reativado o posto de saúde da missão, presta assistência espiritual e religiosa numa paróquia que tem 100 quilómetros quadrados.

«É uma paróquia extensa, neste momento estamos naquela época festiva do ano em que se fazem os batismos. Imagino que o padre Paulino neste momento esteja a fazer uns 100 ou 200 batismos e uns 50 ou 60 matrimónios», disse o padre Jorge Vilaça.

Este sacerdote esteve em missão naquela paróquia, entre julho de 2016 e julho de 2017, e durante esse ano batizou 2600 adultos, mas o número de candidatos era bastante superior.

«Estamos a falar de um povo com grandes necessidade sociais e também com grande sede de Deus, da Igreja, de proximidade, de formação», referiu.

A enfermeira Margarida Carvalho, de 28 anos, fez parte da equipa liderada pelo padre Jorge Vilaça e recorda uma «experiência única e marcante», que mudou a sua forma de encarar a vida.

«Aprendi que o importante na vida é saborear o nosso dia a dia e saborear o nosso convívio com as pessoas, convívio que aqui é condicionado devido às nossas rotinas e contratempos», notou.

Além de acompanhar na missão pastoral, Margarida Carvalho prestava cuidados de saúde primários na comunidade de Ocua, no âmbito de um projeto financiado pela Associação Portuguesa de Amigos de Raoul Follereau, que assegura leite artificial para bebés.

O projeto “Salama!” iniciou-se logo após a assinatura do acordo de cooperação missionária entre as Diocese de Braga e de Pemba, em 2014.





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