Espaço do Diário do Minho

Propostas para uma dinâmica paroquial
27 Nov 2017
António Sílvio Couto

Dando cumprimento a um desejo e necessidade de reflexão cerca de duzentas pessoas da paróquia da Moita retiraram-se para Vila Viçosa, no passado dia 19, em ordem a aprofundar os resultados dum inquérito recentemente feito nas missas paroquiais e a refletir sobre que paróquia pretendem ser no futuro próximo.

Centrar a nossa atenção em quatro caraterísticas principais que serviram de pistas de reflexão. O ponto de partida para o que aqui vamos sintetizar são as conclusões dum livro publicado, em setembro do ano passado, nos EUA – ‘Grandes paróquias católicas’ – onde se apresentam essas caraterísticas lá verificadas, e aqui são colhidas como desafios e incentivos a melhorar:

* Liderança – mais do que uma liderança centrada numa pessoa, prefere-se a liderança partilhada, isto é, onde se possa verificar a dimensão comunitária, com a intervenção estruturada e coordenada de leigos e onde os dons e carismas de cada um possam ser postos ao serviço dos outros.

Não será só tolerável que os leigos sejam chamados a participar nas tarefas das paróquias, tendo como atenuante a diminuição de clero… como parece verificar-se em tantos lugares. Os leigos são parte integrante das nossas paróquias, continuar a menorizá-los será, além de negligência, uma espécie de pecado grave contra o corpo da Igreja católica. E nem os diáconos permanentes ocupam o seu lugar!

Claro que temos um razoável caminho a percorrer, mas temos de dar os primeiros passos e de criar mais inquietações. O ‘termos padre’, como dizia alguém numa das avaliações, é bom e fundamental, mas tem de tornar-se mais consciente pela ajuda de todos…de forma ativa e não na conjuntura de tolerância.

* Crescimento espiritual – é fundamental que as pessoas sejam educadas na capacidade de alegrar-se com o crescimento e a valorização dos outros, tendo em conta a dinâmica do sentido de pertença e do discipulado. Para que tal possa acontecer de forma sistemática e comprometida será preciso estar atento e participativo nos momentos de formação propostos pela diocese, a paróquia e mesmo os movimentos.

Por vezes torna-se confrangedor ver como tantos dos paroquianos se limitam à missa dominical, desaproveitando outros momentos, tanto de âmbito querigmático como catequético. A formação na linha bíblica é de grande utilidade, seguindo, em muitos casos, a dinâmica da ‘lectio divina’, que tem vindo a ganhar importância na caminhada de muitos católicos.

* Liturgia – como grande espaço de participação, a liturgia não pode continuar a ser usada de modo intermitente, como acontece em tantos casos dos nossos ‘praticantes’, mas será pela presença, a participação e o compromisso nas celebrações que as próprias paróquias se hão de renovar.

Aquilo que o autor americano citado chamava de ‘liturgia vibrante’ não pode ser reduzido a uns ritmos mais ou menos importados doutras realidades que não as da igreja, mas deverá alicerçar-se no acolhimento, na atenção e no cuidado para com os fragilizados – e são tantos/as – que procuram na liturgia algo que os/as possa serenar e dinamizar a vida quotidiana.

Urge passar dalguma da frieza das relações nas ‘nossas’ missas para a capacidade de acolhimento a cada pessoa, como vemos em certas expressões não-católicas… Assim haja tempo, disponibilidade e carisma!

* Evangelização – mais do que um conceito de circunstância, a cultura tem de ser evangelizada e evangelizadora. Há espaços e lugares que têm de ser fermentados com a presença evangelizadora católica, promovendo iniciativas de âmbito cultural – sem deixarmos que ‘cultura’ seja uma oportunidade só para alguns que rejeitam a fé cristã – como conferências, palestras e colóquios – o ideal seria com um ritmo mensal – envolvendo também pessoas de fora do âmbito eclesial.

A cultura não pode continuar nas mãos ‘só’ das autarquias e dumas associações de tal forma laicas, que só servem para relegar o cristianismo para um certo reduto negligentemente…anódino.

= Estes foram os vetores refletidos… outros poderão ser aprofundados em novas ocasiões!



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Centrar a nossa atenção em quatro caraterísticas principais que serviram de pistas de reflexão. O ponto de partida para o que aqui vamos sintetizar são as conclusões dum livro publicado, em setembro do ano passado, nos EUA – ‘Grandes paróquias católicas’ – onde se apresentam essas caraterísticas lá verificadas, e aqui são colhidas como desafios e incentivos a melhorar:

* Liderança – mais do que uma liderança centrada numa pessoa, prefere-se a liderança partilhada, isto é, onde se possa verificar a dimensão comunitária, com a intervenção estruturada e coordenada de leigos e onde os dons e carismas de cada um possam ser postos ao serviço dos outros.

Não será só tolerável que os leigos sejam chamados a participar nas tarefas das paróquias, tendo como atenuante a diminuição de clero… como parece verificar-se em tantos lugares. Os leigos são parte integrante das nossas paróquias, continuar a menorizá-los será, além de negligência, uma espécie de pecado grave contra o corpo da Igreja católica. E nem os diáconos permanentes ocupam o seu lugar!

Claro que temos um razoável caminho a percorrer, mas temos de dar os primeiros passos e de criar mais inquietações. O ‘termos padre’, como dizia alguém numa das avaliações, é bom e fundamental, mas tem de tornar-se mais consciente pela ajuda de todos…de forma ativa e não na conjuntura de tolerância.

* Crescimento espiritual – é fundamental que as pessoas sejam educadas na capacidade de alegrar-se com o crescimento e a valorização dos outros, tendo em conta a dinâmica do sentido de pertença e do discipulado. Para que tal possa acontecer de forma sistemática e comprometida será preciso estar atento e participativo nos momentos de formação propostos pela diocese, a paróquia e mesmo os movimentos.

Por vezes torna-se confrangedor ver como tantos dos paroquianos se limitam à missa dominical, desaproveitando outros momentos, tanto de âmbito querigmático como catequético. A formação na linha bíblica é de grande utilidade, seguindo, em muitos casos, a dinâmica da ‘lectio divina’, que tem vindo a ganhar importância na caminhada de muitos católicos.

* Liturgia – como grande espaço de participação, a liturgia não pode continuar a ser usada de modo intermitente, como acontece em tantos casos dos nossos ‘praticantes’, mas será pela presença, a participação e o compromisso nas celebrações que as próprias paróquias se hão de renovar.

Aquilo que o autor americano citado chamava de ‘liturgia vibrante’ não pode ser reduzido a uns ritmos mais ou menos importados doutras realidades que não as da igreja, mas deverá alicerçar-se no acolhimento, na atenção e no cuidado para com os fragilizados – e são tantos/as – que procuram na liturgia algo que os/as possa serenar e dinamizar a vida quotidiana.

Urge passar dalguma da frieza das relações nas ‘nossas’ missas para a capacidade de acolhimento a cada pessoa, como vemos em certas expressões não-católicas… Assim haja tempo, disponibilidade e carisma!

* Evangelização – mais do que um conceito de circunstância, a cultura tem de ser evangelizada e evangelizadora. Há espaços e lugares que têm de ser fermentados com a presença evangelizadora católica, promovendo iniciativas de âmbito cultural – sem deixarmos que ‘cultura’ seja uma oportunidade só para alguns que rejeitam a fé cristã – como conferências, palestras e colóquios – o ideal seria com um ritmo mensal – envolvendo também pessoas de fora do âmbito eclesial.

A cultura não pode continuar nas mãos ‘só’ das autarquias e dumas associações de tal forma laicas, que só servem para relegar o cristianismo para um certo reduto negligentemente…anódino.

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