Espaço do Diário do Minho

E quando o fontanário secar, como vai ser?
27 Nov 2017
Albino Gonçalves

Não é por ter chovido nestes últimos dias que o problema hídrico em Portugal está resolvido ou em vias de reposição dos valores de armazenamento nas barragens esvaziadas devido ao longo período de ausência de chuva.

Segundo o IPMA e a Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, o mês de Outubro foi o mais quente nos últimos 87 anos e onde a precipitação atingiu níveis altamente críticos e preocupantes, motivando uma intervenção governamental sobre a política institucional na gestão e triagem da água nas redes de consumo público e empresarial.

Estamos erradamente convencidos de que a água é uma fonte natural infindável, não havendo por isso o cuidado cultural em saber usá-la com disciplina, respeito, rigor e poupança no seu uso, bastando para isso, pequenos gestos individuais quando a utilizamos para diversos fins.

A autarquia bracarense, atempadamente, tomou iniciativas exemplares na redução de caudais da responsabilidade municipal, nomeadamente colocando limitadores temporais nas torneiras de locais públicos, alguma restrição das piscinas e pavilhões supervisionados pela Câmara Municipal de Braga, redução da rega de campos de relvados e zonas verdes, pressupondo-se uma poupança na ordem dos 60% do consumo de água no espaço público, além de uma campanha de sensibilização junto do parque escolar, incentivando os alunos a pouparem a utilização da água e de electricidade.

Há comportamentos que podem ser implementados nos nossos hábitos diários a pensarmos na preservação e bem-estar ambiental, bastando para isso o bom senso no uso dos recursos naturais à nossa disposição, sem desperdício ou irresponsabilidade cívica e inculta quando abusamos daquilo que a “Mãe Natureza” nos oferece de “mão beijada”.

Eis, algumas dicas, contributivas para o uso correto da água à nossa disposição:

Quando tomamos banho, gastamos em média 6 litros de água por minuto e enquanto estamos a ensaboamos o corpo e o cabelo deixamos a torneira aberta, o que é totalmente errado;

Quase não nos apercebemos, mas uma simples lavagem das mãos sem fechar a torneira gere um consumo de 7 litros de água. Quando economizamos, podemos reduzir para metade o consumo deste precioso líquido;

Curioso e surreal, tocante um pouco a todos nós, é a escovagem de dentes com a torneira sempre aberta, calculando-se o uso de 18 litros de água por cada sessão de higiene oral, quando podíamos exercer o mesmo evento disciplinarmente aplicado, por apenas um consumo de 2 litros de água.

A indispensabilidade da cultura educativa e formativa junto das populações é uma ferramenta pedagógica que urge instituir, cabendo a todos com especial relevo para as autarquias, administração pública central, regional e local, órgãos de comunicação social, escolas, ong´s, etc., a serem os principais agentes da mudança dos hábitos do consumo de água desperdiçada, alertando as populações dos altos riscos hídricos, naturais, ambientais, sociais e económicos, se não levarmos a sério os avisos que o planeta com toda a paciência tem desencadeado através destes fenómenos das consequências intrínsecas de seca sentida por todos nós.



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