Espaço do Diário do Minho

“A web summit e a seca…”
27 Nov 2017
Narciso Mendes

Com tanta gente empreendedora a querer ser dona e senhora do seu próprio emprego, prevejo que em breve tenhamos o mundo repleto de empresários. E cada vez são mais os que aderem ao evento da Web Summit na perspetiva de se poderem vir a transformar, rapidamente, em senhores abastados de capital. Só que a coisa, este ano, também teve como participantes a Sophia e o Einstein.

Dois robots dotados de inteligência artificial que prometem baralhar as contas não só às modernas “startups”, mas também aos empreendedores se, entretanto, as novas mentes começarem a pensar por eles. Porquanto, já adiantaram que vão estar aí para tirarem os empregos aos humanos. Ou seja, serão eles, um dia, a decidirem o que é ou não emprego e quem será seu titular.

Mas não se pense que estas cabeças mecânicas se referiam, apenas, aos “jobs” dos recibos verdes ou do S.M.N., porque burros não quererão ser. Certamente que, para além de arrebatarem os lugares aos “CEO’s”, bem remunerados, quererão ocupar os da classe política. E embora, eu, já não esteja cá para ver questiono-me se, nessa altura, serão eles a meterem o mundo na ordem, ou a darem cabo dele?

O que me parece é que pior do que continua a ser feito ao planeta terra pelos humanos – em termos ambientais – talvez a primeira hipótese seja a mais plausível. Isto, se lhe for introduzido o programa do ex-presidente Al Gore e se, entretanto, não houver corrupção robótica.

Quanto a nós, Portugal, cá vamos andando entretidos com palestras sobre o tema, pomposos anúncios de iniciativas, muita retórica na matéria e pouca obra feita. Senão veja-se a aflição que tem sido esta seca que vem afetando as culturas, os animais sem pasto e as próprias populações.

As quais em certas zona, valem-lhe – já – os comboios de camiões-cisterna de água para seu consumo. O que demonstra bem o “logo se vê” que vem presidindo às políticas de proteção ambiental, para as quais as soluções escasseiam sempre que levamos com tudo em cima.

São as florestas desordenadas, sem que se dinamize a cultura das espécies autóctones que permitiriam a impermeabilização ao fogo; os nossos rios ribeiros (as) lagos e lagoas de que não existe qualquer cadastro, nem tão pouco elementos de fiscalização – como os antigos guarda-rios – que os vigiem; em que as ações de despoluição se pautam mais pela contemplação da notícia, do rio tal e tal poluídos, do que pela criminalização dos prevaricadores.

É neste cenário de verões cada vez mais quentes e prolongados que a seca se instala. Que o digam os espanhóis ao verem a nascente do Rio Douro, nos Picos do Urbion, completamente seca. Valendo ao seu caudal – em Portugal – os afluentes que para ele correm, pelo menos por enquanto não lhes acontece como no Paiva, seu afluente, classificado como o rio mais despoluído da Europa, infestado de cinzas dos incêndios que escorrem para o seu curso.

Isto, enquanto o Tejo definha a olhos vistos. Com toda a mortandade de seres da natureza que o rio encerra, não só devido à poluição, como também ao deficitário leito, cuja escassez de água põe em risco a sua qualidade para o consumo humano.

Mas não só, pois as culturas no vale do Sado continuam comprometidas, deixando o maior produtor de arroz do país em dificuldades. Se bem que no Alentejo o panorama é idêntico, onde os agricultores pensam, já, enveredarem por culturas de menor consumo de água, tendo em vista a poupança do precioso líquido, uma vez que a reserva do Alqueva lhes alavanca os custos de produção.

Contudo, fazer de conta é connosco. Vemos todos estes sinais e só suplicamos a Deus que nos livre de perigos, mesmo sem arrepiarmos caminho. É que o degelo nos polos, devido ao aquecimento do planeta – provocado pelo consumo de combustíveis fósseis, aliado á devastação da Amazónia – pulmão da terra – continuam.

Resta pedirmos a Paddy Cosgrave que, em 2018, convide S. Pedro e a sua “Startup de precipitação” para investir em chuva por cá.



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