Espaço do Diário do Minho

Êxitos e falhas da TAP
6 Nov 2017
Narciso Mendes

A aparente acalmia em que a transportadora aérea nacional TAP tem vivido nos últimos tempos, em termos de lutas sindicais, parece estar a dar os seus frutos. Pois, segundo notícias vindas a público o ano que decorre irá encerrar com surpreendentes resultados financeiros positivos. Prevendo-se que em 2018 sejam contratadas 900 pessoas para os seus quadros de pessoal e que a frota de aviões chegue às 100 unidades em 2020, abrindo novas rotas para vários destinos do mundo. Mas não só, também está nos planos da companhia aérea que em 3 ou 4 anos possa entrar na Bolsa. Fatores que, uma vez conjugados se traduzirão num êxito da sua atual administração.

Afinal, o que os portugueses esperam é que não mais aconteça o que sucedia no passado em que sempre que a TAP se via enrascada, eram os impostos de todos nós que cobriam os excessivos défices financeiros da empresa. Pelo que se pode deduzir, deste respirar desafogado da nossa transportadora de bandeira, que as coisas estão a mudar de rumo. E que os 50% que o Estado detém na companhia, conjuntamente com 45% do consórcio Atlantic Gateway, de David Neelman, Humberto Pedrosa e dos chineses da HNA, bem como os 5% afetos aos trabalhadores, estão a ser geridos, com equilíbrio

Obviamente, que todo este otimismo e prosperidade se devem, em parte, não só à pacificação da empresa – com ausência de greves – mas também à capacidade de diálogo e de experiência empresarial dos seus acionistas. Porém o que se espera é que todos tenham os pés bem assentes na terra. Ou seja, cuidem devidamente da mecânica dos aviões, cá em baixo, a fim de fazerem jus à fiabilidade dos aparelhos de uma transportadora que sempre se pautou pela segurança no ar.

Por isso, entendo que não basta andarem demasiado empenhados em baixarem os custos dos bilhetes face aos preços das companhias de baixo custo, antes devem injetar qualidade nos serviços e mais respeito por aqueles que escolhem voar na “TAP”. Sobretudo, marcando a diferença na performance em lidar com os clientes, mediante as expetativas que estes depositam na transportadora aérea do seu país. E se evitem falhas de comunicação e de assistência aos passageiros, como temos verificado em alguns atrasos e cancelamentos de voos.

Senão vejamos. Viajo pouco para fora do país, apenas uma vez por ano. Mas este ano o destino escolhido foi África, mais propriamente uma ex-colónia portuguesa e, pela primeira vez, num voo da “TAP”. Uma experiência que muito me agradou, por ter voado confortavelmente – durante 4 horas –, sem a venda de raspadinhas, cigarros ou perfumes, com uma refeição aceitável e chegada à hora prevista. Um autêntico bálsamo para o meu ego de português.

Tudo correra bem, exceto o regresso a Portugal no sábado, 29 de julho. Isto, porque feito o “check-in” – no aeroporto – só à hora de saída do voo, 22h45, é que soou o aviso de que o mesmo estava atrasado por avaria no avião. Tendo sido lançado outro, às 24h, de igual teor. Para às 2h30 da madrugada do dia 30, domingo, informarem que estava cancelado. Agora, imagine-se a confusão com mais de 150 pessoas, de ânimos exaltados, por entre o choro de crianças, a barafustarem. Enfim, uma confusão. E da “TAP” nem uma palavra.

Nesse domingo – de céu limpo e calor – voo remarcado para as 18h30 e, depois de malas abaixo e acima, novo “check-in” e os mesmos avisos: voo atrasado e, às 22h cancelado. Era o fim da macacada, já com a polícia a intervir. Até que às 23h dois aviões, com vagas, da “ORBEST” se prontificaram a recolher-nos, com algumas pessoas a voarem para Lisboa, quando o destino era o Porto. Onde chegamos clandestinamente, sem malas, por volta das 6h de segunda-feira, 31 de julho. Valeu-nos a todos, àquela hora, um funcionário da “ORBEST” no Aeroporto Sá Carneiro para nos orientar.

Ora, já é tempo de vermos a “TAP” a não falhar e a fazer alguma coisa pela marca Portugal. Pois, apesar de jovem, Cristiano Ronaldo já tem feito muito.



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