Espaço do Diário do Minho

Incêndios, um assunto principalmente criminal
31 Out 2017
Eduardo Tomás Alves

1. Até ao momento, 110 mortos e 520 mil ha de área ardida…). Quebrados todos os recordes, um “ano vintage” em matéria de desgraça. Em vez de em Portugal se melhorar no combate e prevenção dos fogos florestais, este ano andámos foi para trás e em alta velocidade.

2 – Um ano que poderá ficar para a História como um verdadeiro “annus Costae”). Um ano sinónimo de incúria, incapacidade e de repetição de falsas promessas. À semelhança daquele que a rainha de Inglaterra qualificou de “annus horribilis”, quando entre outros azares, ardeu parte do imponente castelo de Windsor. Em Portugal, o ano de 2017 também se poderá chamar de algo parecido, p. ex. de “annus Costae”, recordando o principal responsável passivo pela desgraça.

3 – É que isto de ir de férias logo a seguir à catástrofe de Pedrógão…). O nosso actual PM deu uma péssima imagem de si próprio quando, logo depois de o fumo dos incêndios de Pedrógão-Castanheira-Figueiró se ter dissipado (e apesar de terem morrido logo então 64 pessoas!) ter pegado nas malas e ido de férias 7 dias para parte incerta. Minimizou o que não podia ser minimizado. E quando voltou, logo prometeu que aquilo não se repetia. E mais, como é infinitamente teimoso e matreiro, recusou demitir qualquer ministro ou secretário, nomeadamente a insegura e lacrimosa ministra do Interior, uma vila-condense que mostrou ser um verdadeiro “erro de casting”. Mas que lhe servia bem como “bode expiatório”…

4 – As falsas promessas em matéria de fogos, normalmente demoram um ano a ser desmentidas). Só que, desta vez a desgraça não deu tréguas ao habilidoso actual inquilino de S. Bento. Em 15 de Outubro, uma inesperada vaga de calor (associada ao temporal que passou ao largo dos Açores) propiciou aos profissionais do fogo-posto mais uma ocasião “soberana” para porem de novo quase todo o nosso País a arder. Desta vez foi sobretudo a Beira Litoral e Alta (da outra vez tinha sido a linha dos concelhos a norte do Tejo, e parte do distrito de Portalegre). E curiosamente, nenhuma das fatídicas datas se situa no verão… É como diz o outro, “Natal é quando um homem quiser”… Assim também, um bom fogo-posto é quando há boas condições.

5 – E chega o dia 15 de Outubro). Nesse dia há mais de 500 incêndios (qualquer tolo finalmente perceberá que isto dos fogos é mesmo Crime Organizado). Dos quais resultam mais 46 mortos. À 1h e 30min da madrugada seguinte, Costa discursa, com a arrogância habitual e não reconhece culpas. No dia seguinte, mais contido, ainda não está a ver bem a dimensão do sucedido. Foi nesse dia que Marcelo falou (aliás, foi desde Oliveira do Hospital, a terra do pai da dra. Rita Cabral e onde morreram 12 pessoas). E sugeriu que um Governo minoritário como o do actual PS, face a tais catástrofes e tal incompetência, talvez precisasse, para continuar, que os seus vagos e sulfurosos apoios de Esquerda lhe dessem formalmente uma indiscutível aprovação parlamentar.

6 – Logo apareceram as armas de Tancos e logo se vai a ministra…). Que no mínimo é esquisito, lá isso é. Até parece que os ladrões eram apoiantes da vaporosa fórmula governamental actual. “Apareceram”, numa quinta da vizinha Chamusca e há quem diga (cf. Jornal i, de 19-10-2017) que foram lá postas 2 dias antes…

7 – Decerto não será o PS que terá legitimidade para agora vir fazer “Reformas Florestais”). Depois de ter demonstrado tanta incúria e incompetência, não poderá ser agora o dr. Costa a “armar-se em Marquês de Pombal” e fazer uma qualquer reforma florestal radical, e feita em cima do joelho. Aliás, todo este assunto é basicamente criminal; e só por aí pode ser primacialmente abordado.

8 – E lá vão mais 400 milhões para indemnizações). Decerto muito justo, porém infelizmente esta importante verba não vai sair dos bolsos do “generoso” dr. Costa; mas sim, vai ser esmifrada das contas bancárias dos portugueses do costume, que nada tiveram a haver com o assunto. Para mais, a nossa forte indústria dos móveis acaba por importar da França e Alemanha, fortunas em pinho e carvalho.

9 – Os fogos-postos produzem o carbono equivalente a milhões de veículos). Tanta conversa contra os motores a combustão e, por esse mundo fora, se não houvesse incêndios, o aquecimento global pouco se notaria.

10 – Das vinhas da Califórnia ao Pinhal de Leiria). Rajoy diz que é “terrorismo incendiário”; e é. Ardeu boa parte da Galiza e em Junho, parte do sacrossanto P. N. do  Coto de Doñana, em Sevilha (o maior refúgio do lince). Em Portugal, ardeu 80% do Pinhal de Leiria. E se nos lembrarmos dos fogos da Amazónia ou da Indonésia…

11 – Os incêndios são sobretudo um assunto criminal). Para que acabem, basta que se aumentem as penas (para 15 anos, p. ex.). E que se aposte no perdão, se o incendiário denunciar quem lhe encomendou o “trabalho”. A isto se chama a “delacção (ou denúncia) premiada”. Se funciona na Itália, Brasil ou EUA, por que não funcionaria em Portugal? Rapidamente se descobririam as pontas ao novelo. Não querer fazer isto, é demonstrar que a “indústria dos fogos” é parte integrante do Regime instaurado em 25 de Abril de 74. E que só acabará quando novo golpe militar cá instaurar um Regime menos corrupto.



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