Espaço do Diário do Minho

Estaremos seguros e em segurança?
28 Ago 2017
A. Sílvio Couto

Segundo dados disponíveis, os atentados terroristas verificaram-se, em dois terços (75% dos casos) nos seguintes países: Iraque, Afeganistão, Índia, Paquistão, Filipinas, Somália, Turquia, Nigéria, Iémen e Síria. Seis dos dez ataques mais letais foram reivindicados pelo grupo autodenominado ‘estado islâmico’… embora outros grupos – islamitas ou não – se assumam como praticantes desta atividade inumana!

= Quando é noticiado um desses ataques vivemos, imediata e socialmente, uma espécie de pandemia securitária (quase) sem racionalidade, gerando desconfiança sobre tudo e para com todos, particularmente para com pessoas que possam assemelhar-se aos autores de tais barbaridades. Uns dizem que aquilo que temos e muito do que está a acontecer é resultado da abertura à miscigenação de culturas e de povos, entrando nos países pessoas que nem sempre estão bem-intencionadas… Outros consideram que tais atentados são fruto de alguma confusão do mundo ocidental, tão aberto nas suas opções laicistas, que os ‘religiosos’ muçulmanos não entendem e combatem a ferro e fogo os arreligiosos infiéis… Outros ainda parece que não compreenderam que a globalização trouxe riscos e desafios, muitos deles semeados de maior ou menor turbulência social e ideológica… embora venha sacudir o materialismo de vida de muitos que lançaram pétalas de nenúfar onde o elefante agora pisa sem dó nem piedade… 

= Apesar de tudo há perguntas que podem e devem de ser colocadas: será que nós, portugueses, estamos seguros ou em segurança, mesmo que estejamos neste canto da Europa? Será que continuaremos mais ou menos imunes a esta vaga de atentados? As medidas (já) tomadas serão capazes de dissuadir quem deseje praticar algum atentado? Será com pilaretes em ferro ou cubos em betão que estaremos mais seguros? 

A nossa mentalidade um tanto laxista poderá ser paga com façanhas pouco abonatórias da capacidade preventiva, pois não estamos a lutar contra forças devidamente identificadas – embora possam parecer mais ou menos conotadas – e que se escondem sob a capa de convivência e da bonomia à portuguesa.

Nota-se uma razoável e crescente islamização tácita da nossa sociedade, com aberturas nem sempre calculadas e com corifeus de boa vontade, que na hora da desgraça se encolherão sob a capa do anonimato. Não basta receber os dinheiros de certos investidores, é preciso saber donde são provenientes e quais as consequências de lhes abrirmos a porta com tão à-vontade que mais parecemos passarinhos enfeitiçados por serpentes enleadoras… Cuidemos da segurança com atitudes de vigilância e não como remendadores de fazenda em pano-cru… Embora sejamos um povo pluralista temos de ir aprendendo com os erros de tantos outros que não souberam nem quiseram tomar medidas adequadas à gravidade da situação… 

= Não deixa de ser preocupante e sintomático, que, neste país, quem previna contra erros de abertura e suscite contenção na liberdade de expressão, logo possa ser rotulado de racista, xenófobo ou com outros epítetos que têm tanto de vulgares quantos de insidiosos. E nem os (pretensos) defensores das minorias – muitas das vezes não respeitadores dos outros que não se reveem nas suas atitudes – se julguem acima de qualquer insuspeita, pois poderão estar a fazer o jogo daqueles que pretendem infetar a cultura ocidental, tentando impor aos outros o que agora lhes permite defender quem tal não desejam. Há minorias que de democráticas não têm a ponta de nada, dado que na sua ânsia duma dita liberdade condicionam a liberdade alheia e no desejo de serem diferentes se tornam pequenos ditadores… dentro ou fora do Parlamento e por entre jogos de poder. 

Segurança, sim; seguros sem condições, não, obrigado!   



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