Espaço do Diário do Minho

Quando ter opinião pode criar problemas
21 Ago 2017
A. Sílvio Couto

Ora, ter opinião exige que se seja, desde logo, capaz, de estar minimamente informado; de ter tempo e capacidade de reflexão dos prós e dos contras; de partir duma linha de princípios e não de meras conjeturas e suposições; de viver enquadrado neste tempo e não como saudosista do passado ou instável sobre o futuro; de não partir de preconceitos seja contra quem for, mesmo que possa pensar e agir de forma diferente; de fazer crescer com o que possa exprimir na sua opinião e não atirando sugestões para que outros possam executar… Numa palavra: ter opinião pode criar problemas porque quem o faz se expõe e se revela, podendo criar problemas senão mesmo adversários ou talvez inimigos… 

= Desiluda-se quem pense que o assunto agora aqui trazido seja resultado da obnubilação estival de temas para refletir. Bem pelo contrário: como indicarei infra, esta questão decorre da necessidade em explicitar a orgânica mais subtil do tratamento de várias das vertentes em que tento colocar a perspetiva cristã na abordagem, leitura e interpretação de assuntos onde a fé cristã tem de ser colocada… em compromisso.

Talvez nem todos/as aceitem a forma como vemos e lemos os assuntos trazidos à liça do nosso dia a dia. Talvez haja quem nem leia o que é escrito por ver quem assina tais reflexões. Talvez julguem que é quase sempre do mesmo o que se pretende veicular. Talvez possa até parecer que o exercício em escrever como que adquire a função terapêutica de verter em letra o que ocupa a mente… Sim tudo isso e muito mais está subjacente à necessidade que tenho em refletir, por escrito, sobre muitos assuntos da vida e que espero que sejam para a vida…            

= Quem se pronuncia sobre o tema da vida e da família, desde logo, pode incorrer em censura por parte de muitos dos interesses que tais questões colocam. Com efeito, os assuntos de natureza ética/moral andam hoje tão maltratados que será preciso conhecer os autores para acreditar nos conteúdos difundidos. Nem que seja de forma simulada dá a impressão que muitos dos mentores – cognominados de ‘opinion makers’ (fazedores de opinião) – de tais questões são comparáveis a assaltantes que têm a propriedade de legislar sobre os assuntos em que depois podem vir a ser julgados e, com isso, criarem condições para legitimar o seu comportamento e até para atenuar as penas a que podiam e deviam ser condenados…

Repare-se nas tentativas de mudança de terminologia sobre os temas da vida e da família: género em vez de sexo; progenitor substituindo pai e mãe; união de facto (tácita ou declarada) como equiparado a casamento e isto ainda que tentando atingir o âmbito do matrimónio; casal num equívoco com parelha; família como expressão de caraterísticas a gosto…

Quem tiver ideias claras e distintas, segundo os valores do cristianismo, não pode deixar-se ludibriar com tais ‘conceitos’ feitos à custa/medida de interesses de lóbis mais ou menos assumidos, embora muito barulhentos e capazes de fazer passar a ideia de que tudo está diferente, embora continuem a faiscar conflitos entre os beneficiados com tais folclores luzidios quanto baste! Porque são censurados, na maioria da comunicação social, os conflitos entre acasalados do mesmo género/sexo e se difundem com estrondo os que atingem os heterossexuais? Viverão todos num conforto de entendimento ou nada se passa porque não se noticia?

= Não deixa de ser minimamente preocupante que, por estes dias, se continuem a cunhar clichés – racista, xenófobo, homofóbico, discriminação, etc. – quando alguém pensa de forma diferente do ambiente amoral em que nos vamos entretendo. Não deixa de ser perigoso que uns certos ideológicos tenham cobertura para dizerem o que lhes apetece e sejam marginalizados os que não se deixam guiar pela bitola do amoralmente aceitável. De facto, o sal perdeu o sabor e só serve para estrumar o que resta… de imundície!

 



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