Espaço do Diário do Minho

Respeito pelos outros
31 Mar 2017
Maria Teresa Conceição

Todos sabemos que a vida é um dom de Deus mas tal como o Papa Francisco diz – “O ser humano é estranho. Briga com os vivos, e leva flores para os mortos; Lança os vivos na sarjeta e pede um “bom lugar para os mortos”; Afasta-se dos vivos e agarra-se desesperado quando estes morrem; Fica anos sem conversar com um vivo e desculpa-se, faz homenagens, quando este morre; Não tem tempo para visitar o vivo, mas tem o dia todo para ir ao velório do morto; Critica, fala mal, ofende o vivo, mas santifica-o quando este morre; Não liga, não abraça, não se importa com os vivos, mas se autoflagela quando estes morrem. Aos olhos cegos do homem, o valor do ser humano está na sua morte, e não na sua vida. É bom repensarmos isto, enquanto estamos vivos!”

Esta última frase também me dá que pensar, pois eventualmente quando já não tivermos préstimo, alguém poderá pensar em nos “eutanasiar”. Dizer-se que a eutanásia serve os interesses da pessoa é uma pura falácia, uma pretensão economicista mentirosa, pois com os cuidados paliativos que já existem, se não se importarem de gastar dinheiro, a pessoa não tem que sofrer. Não me refiro sequer ao valor do sofrimento, não vou por aí, nem sequer ao sentimento religioso, mas fundamentalmente a uma questão de ética. Ninguém acaba com a vida a não ser que esteja mentalmente doente. Não é verdade que se algum perigo nos ameaça o instinto é fugir desse perigo?

Existe uma hormona que se chama adrenalina que normalmente dispara quando há um sinal de perigo e o sinal que dá é para lutar ou fugir (voar, com uma tradução à letra) “fight or flight”. Se isto acontece é porque o caminho lógico indicado pelos mensageiros químicos, que são as hormonas e ou os neurotransmissores, é uma defesa da vida.

Na mensagem para a Quaresma o Papa Francisco referindo a parábola do rico e do pobre Lázaro diz-nos que “Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil.”

O Papa faz-nos notar que o pobre tem um nome o que não acontece ao rico: “Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba”. S. Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro». “Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico. Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.” 

Não devíamos deixar de ler e meditar nesta mensagem do Papa Francisco que diz ainda que “o verdadeiro problema do rico, a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus.” Esta “é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.”

Convida-nos também a rezar uns pelos outros para que com Cristo abramos o nosso coração “ao frágil e ao pobre” onde estão certamente incluídos os velhos, os não nascidos e todos os que embora não produzam riquezas materiais têm direito a viver até porque tal como Lázaro acumulam tesouros na eternidade.



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