Espaço do Diário do Minho

Braga Capital Ibérica da Educação – Um título que lhe é merecido

7 Jan 2017
José Zêzere Barradas

Sabemos que ao longo da história da humanidade o ensino esteve sempre presente, embora diferente da forma como hoje o conhecemos. Inicialmente os seres humanos tinham necessidade de aprender técnicas para fazer face à sua própria subsistência e consequente sobrevivência, e por isso a necessidade de aprender era uma constante, e uma condição natural. Mas os circuitos da aprendizagem/educação são muito variáveis e complexos.

A educação dos povos está muito dependente da vontade de quem governa, existindo em todo o mundo grandes assimetrias ao nível do conhecimento que podem fazer a diferença entre uma sociedade democrática e plena de cidadania, direitos e deveres, e uma sociedade menos democrática pouco participada, onde os saberes, os direitos e os deveres não articulam entre si, gerando na maior parte das vezes pobreza social, e um retrocesso ao nível dos Direitos Humanos. O termo «educação» é hoje de certa forma banalizado.

Quem não ouviu já falar da Lei de Bases do Sistema Educativo, de Educação e Formação de Adultos, de cursos de Combate ao Analfabetismo. É um termo que faz parte da convivência social, e está previsto na nossa constituição. A escola para todos passou a ser um direito adquirido.

Mas, se hoje nos podemos congratular com um sistema ou sistemas de ensino que, ainda que com limitações, vão chegando à população portuguesa, foi porque alguém lançou a “primeira pedra” como forma de alicerce da atividade pedagógica em Portugal. Esta alavanca para o desenvolvimento de Portugal ficou simplesmente a dever-se a todo um trabalho desenvolvido pela Sé de Braga, e que não deve cair no esquecimento.

De acordo com registos existentes, e pesquisas efetuadas por diversos autores, a Sé de Braga constituiu-se como um dos mais importantes centros pedagógicos da Península Ibérica antes da constituição da Nação portuguesa. Muito antes dos alvores da nacionalidade, em 1143, a atividade pedagógica era já uma realidade, e Braga foi pioneira no que ao ensino em Portugal diz respeito.

Alguns autores salientam que, à época, existia uma parte da população portuguesa, ainda que, com poder económico, apenas se mostrava preocupada com aspetos e necessidades básicas de caráter elementar, pondo de parte o entendimento e a preferência pelo saber, pela literatura, e pela cultura científica. Tudo o que se referia ao saber e ao conhecimento era, nesta época, um atributo da Igreja, sendo um dos motivos que concedia grandeza à instituição religiosa.

Apesar das inúmeras Sés, Mosteiros e Catedrais que já existiam na região oriental da Península Ibérica, e que se dedicavam à transmissão de conhecimento, é referida a escola da Sé de Braga, com data de 1072, como uma das mais antigas. Mas, se lermos o capítulo 56, pág. 180 (Caput LVI.p.180) da obra “de Scholis Celebrioribus” também podemos verificar a existência de notas que se referem à escola da Sé de Braga como uma das mais importantes e notáveis escolas existentes na parte ocidental da Península “Schola.Bracaresis” “Occidentem Instauratis”, cuja existência remonta para antes do ano de 572 da Era Comum.

Braga não é só a “Roma Portuguesa”, a “Cidade dos Arcebispos”, a “Cidade dos Três Sacro-Montes”, o “Coração do Minho”, a “Capital Europeia da Juventude” e a “Capital Ibero-Americana”. Braga foi um importante, e primeiro, centro educativo em Portugal e na Península Ibérica, mantendo-se um contínuo, até aos nossos dias, testemunhado pela existência de várias escolas notáveis, pelo que em nada se ficaria a dever o título de “Braga Capital Ibérica da Educação”.



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