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Um olhar em redor

Hoje, todas estas palavras que aqui vou deixar são para ti, meu companheiro nesta caminhada terrena que todos efectuamos uma vez vindos ao mundo ou, mais propriamente, a este autêntico vale de lágrimas, de enganos e desenganos, de sonhos desfeitos, invejas e malquerenças, pois julgo conhecer o teu drama, igual ao de tantos outros, de muitos, podes crer. De todos quantos assistem constantemente ao ruir traumatizante dos seus mais caros anseios e justas aspirações!

Joaquim Serafim Rodrigues
18 Jan 2014

Neste mundo em que tens sido, não poucas vezes, maltratado sem razão, olhado até como intruso por todos esses que não suportam o teu modo de proceder, a rectidão do teu carácter, terão para ti, ao menos, um sabor aprazível, reconfortante, estas palavras simples que te dedico ao ver-te indeciso e vacilante acerca do rumo a tomares em meio deste caos em que vives e, naturalmente, te desnorteia e confunde.
Também, como tu, senti ao longo da vida algum desprazer, não poucos desgostos e contratempos – por isso estou contigo e te compreendo. Também acalentei sonhos quem sabe se iguais aos teus, legítimos; Também, talvez como tu, vi muitos deles desfeitos, caídos por terra uns após outros. Contudo, mesmo em tais situações, não te deixes vencer, não proporciones esse prazer a todos aqueles que te querem ver abatido, derrotado, visto que essas pessoas, destituídas que são de um mínimo de sentimentalismo, de espiritualidade (ignoram que só a alma conta, afinal), vegetam no submundo dos que, na sombra, almejam por “um lugar ao sol” a qualquer preço, obtido sem esforço, sem brilho nem glória, se possível à tua custa; insensíveis ao teu modo de proceder, impregnado de nobreza e respeitando sempre os demais. A sensibilidade, porém, é assunto tão vasto e complexo de que só a Natureza guarda o segredo, jamais desvendado até hoje.
Prossegue, portanto, sem desfalecimentos, tendo em vista alcançares os teus desígnios, os ideais que professas e possam proporcionar-te, uma vez realizados, viveres em paz contigo próprio, usufruir dessa serenidade interior resultante do dever cumprido, mesmo que em teu redor se propague a intriga, a luta mesquinha e traiçoeira, pois pode afirmar-se, sem traço de exagero, que nunca como agora se menosprezaram tanto aqueles princípios, ou valores, herdados de nossos antepassados, e mesmo de nossos pais, assim se comprometendo a recta ordenação da vida social através da corrupção dos costumes e, bem assim, pela busca incessante do prazer e de uma vida fácil, sem horizontes dignos nem objectivos concretos e justos.
Não obstante, não desanimes nunca, já que o teu modo de proceder, elevado, digno, altruísta, abrindo caminho sem molestares ninguém, nem mesmo aqueles que te fizeram mal, assume o encanto de um verdadeiro poema, posto que os outros não entendem isso, esquecidos da transitoriedade desta vida terrena e, outrossim, de que só o Além conta, como realidade tangível, simultaneamente sublime e trágica!




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