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Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

Amanhã, dia 19, a Igreja celebra o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, sobre o Tema: «Migrantes e Refugiados: rumo a um mundo melhor» – lema da Mensagem do Papa Francisco. A instituição dia Mundial do Migrante e do Refugiado, deve-se ao Papa São Pio X, em 1914 e portanto para o ano 2014, celebra-se a 100.ª edição. O Papa Francisco está atento ao crescente fenómeno da mobilidade humana, como já o estava Bento XVI, que na sua Mensagem para este dia em 2006, diz que esse fenómeno aparece como “sinal dos tempos”.

Maria Fernanda Barroca
18 Jan 2014

Se por um lado as migrações muitas vezes denunciam as lacunas nos Estados e na Comunidade Internacional por outro revelam a aspiração da humanidade de viver a unidade, respeitando as diferenças; de viver o acolhimento e a hospitalidade, com a partilha equitativa dos bens da terra; de viver a protecção e a promoção da dignidade humana.
O momento presente apresenta-nos motivos de preocupação, principalmente, quando a migração não só é forçada, mas também realizada através de modalidades de tráfico humano e de escravidão. Hoje o «trabalho escravo» é frequente.
Mas o que é um “migrante”? É um indivíduo que muda de uma região para outra, no interior de um país. Ele pode constituir família, conseguir um emprego, fazer amigos no local para onde migrou ou, ao contrário ter deixado tudo isso na localidade na qual morava, para tentar a sorte noutra cidade. Faz novos amigos, arranja outro emprego e muito possivelmente e com frequência acaba por mandar vir para junto de si a família que deixou no local de origem.
Pode perguntar-se o que leva uma pessoa a querer sair de um determinado lugar para ir viver para outro. Geralmente é o desejo de uma vida melhor do que aquela que levava até aí e assim poder proporcionar à família melhores condições. Outras vezes isso acontece por motivos profissionais.
As migrações que a meu ver são mais gravosas são as que se dão da província para as grandes cidades ou do interior para a periferia. Enquanto o interior sofre de desertificação, as cidades do litoral vão ter de crescer para albergar quem as procura e assim vemos criadas as chamadas grandes periferias das cidades do litoral em que a habitação não é das mais cuidadas, pelo contrário, e vemos nascer nessas periferias, as cidades dormitórios. Para aí vai-se dormir, porque a vida decorre nos grandes centros urbanos – deixa de haver vida de família porque desaparece a possibilidade de refeições em comum e o tempo gasto nos transportes é roubado à convivência entre os seus membros.
Com a desertificação do interior a agricultura e a pecuária são quase abandonadas e as populações desenraízam-se. Assim vemos, entre nós, algumas terras de província ficarem quase sem habitantes e se os há são idosos, porque crianças e jovens é coisa que já lá não se vê há muito tempo.
E o que é um “refugiado”? Segundo a Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, a definição de refugiado é toda a pessoa que por causa de fundados receios devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opinião política, se encontra fora do seu país de origem e que, por causa desses receios, não pode ou não quer regressar ao mesmo.
Se quisermos recuar aos meados do século XX, encontramos também ondas gigantescas de refugiados, uns fugindo aos regimes comunistas, outros às ditaduras ferozes, outros às perseguições nazis.
O dia que celebramos este ano, deve ser, com palavras de Bento XVI, “um estímulo a viver em plenitude o amor fraterno sem quaisquer distinções e sem discriminações, na convicção de que o nosso próximo é quem quer que tenha necessidade de nós e a quem nós possamos ajudar (cfr. Deus caritas est, n.º 15)”.
Actualmente o drama dos refugiados é-nos mostrado, até à saciedade pelos meios de comunicação. Recordo o drama dos refugiados de Lampedusa e o número de crianças sírias que fogem da guerra para paí-ses vizinhos, que segundo a ONU atinge um milhão e para onde eles fogem não há um mínimo, para os acolhedores, quanto mais para os que aí procuram abrigo.
O Papa Francisco convidou os conventos vazios a abrirem as portas aos refugiados, lembrando que os pobres são “mestres privilegiados do nosso conhecimento de Deus”.
Não esqueçamos também o que o Papa Francisco disse no Ângelus do dia 22 de Dezembro de 2013: (cito de memória) “Não podemos aceitar que haja famílias sem casa – a habitação é um direito”.




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