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Boas condições para brilhar

Apesar dos constrangimentos financeiros existentes na CMB provocados pelas onerosas rendas das parcerias público-privadas e pelo forte endividamento contraído e assumido pela gestão socialista, Ricardo Rio tem boas condições para brilhar, como Presidente, no seu mandato autárquico que terminará em finais de 2017. Estão reunidas, efectivamente, todas as premissas para ter um bom desempenho e marcar uma presença activa, vistosa e consolidada no concelho. Haja simplesmente boa gestão camarária, ter visão estratégica no plano empresarial, para que os privados possam criar postos de trabalho e animar a economia local, dar ênfase especial à cultura e à educação, servir com realismo as freguesias e respeitar em pleno os direitos dos cidadãos.

Armindo Oliveira
18 Jan 2014

Não é difícil de perceber e de aceitar que o sucesso deste mandato pode ser uma realidade inquestionável, uma vez que Ricardo Rio tem na sua mão uma maioria absoluta no executivo que lhe garante a solidez necessária para tomar as decisões que achar mais convenientes e mais acertadas; tem uma maioria controlada na Assembleia Municipal disponível para aprovar as propostas mais complicadas se for preciso; tem uma experiência acumulada de oito anos como vereador da oposição, o que lhe deu e dá um conhecimento mais ou menos profundo de todos os dossiês camarários e uma percepção mais real dos movimentos e das necessidades do município; tem, acima de tudo, um capital de confiança conferido por um eleitorado que aspirava, há longo tempo, por uma mudança significativa na gestão da edilidade. Tem ainda um país já engalanado no crescimento económico, se bem que seja anémico e com poucas hipóteses de alterar o rumo da economia nacional. Como ponto fraco, tem um Partido Socialista na oposição com “guerrinhas” e problemas sérios de liderança para resolver. Daí, não estar capaz, nem preparado para debater as questões mais pertinentes do município, avançar com propostas e com ideias e contrapor convenientemente a acção da maioria.
Não tenho dúvidas que Ricardo Rio tem o município aos seus pés e nele os bracarenses depositam fundadas esperanças para se efectivar uma mudança qualitativa nos comportamentos, nas práticas e nos objectivos que orientam o seu mandato. Para agarrar o município em definitivo, o presidente terá que ser inteligente na sua acção, exigente nos procedimentos, cauteloso nos gastos e audaz nos investimentos. Aliás, é, justamente, boa governação, com a necessária resolução dos problemas para facilitar a vida de todos, que os bracarenses desejam e exigem, porque de despesismos, de favoritismos, de megalomanias, de arrogâncias todos estávamos completamente saturados. Esses abusos democráticos que sirvam, ao menos, de lição aos autarcas que estão no poder e aos vindouros. Paralelamente a este quadro de pressupostos, uma mensagem clara e inequívoca de seriedade e de responsabilidade terá que ser passada para todos os funcionários, com particular destaque para as chefias dos serviços, de modo a evitar-se que se reconstrua uma imagem degradante de corrupção e de clientelismo que ainda campeia, infelizmente, neste país, em muitas Câmaras Municipais e que afecta gravemente a boa gestão de muitos organismos públicos.
Ricardo Rio tem agora a oportunidade soberana de se impor como presidente de Câmara e deve sentir orgulho em liderar uma equipa para servir a sua cidade de nascimento e de vivências e o seu município com qualidade, aprumo e muito rigor. Não pode aproveitar-se das “mordomias” que o cargo lhe confere, nem permitir que o “bicho” da podridão corruptiva infecte e se espalhe por todos os seus gabinetes. Ricardo Rio não precisa de vender a “alma ao diabo”, nem deixar amarrar-se às correntes ignóbeis dos interesses particulares em detrimento da sua própria dignidade, do bom nome da democracia e da confiança que os bracarenses lhe depositaram. Não será preciso recordar que o povo acreditou na sua valia humana e técnica, depois de duas derrotas eleitorais consecutivas, para dar um outro sentido e uma outra imagem ao concelho.
É preciso estar determinado e ser íntegro para tomar decisões com alma, de mãos limpas e de cabeça erguida. A seriedade vale muito mais do que uns míseros euros que possamos arrecadar com a venda da nossa consciência e da nossa honorabilidade.




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