Fotografia:
Lágrimas de ouro

Nas últimas semanas fomos confrontados com dois acontecimentos que marcaram as notícias de todos os portugueses: o falecimento de Eusébio e a atribuição da bola de ouro a Cristiano Ronaldo. Nestas duas ocorrências, pela projeção mediática que tiveram, foram realizadas muitas reportagens, inquéritos de rua, programas, auscultação de opiniões, debates. Não quero deixar a ideia que sou contra esta situação de reportagens, mas como foi exaustivo, cometeram-se demasiados erros jornalísticos e muitas incorreções nas normas de conduta. Quando a perspetiva foi homenagear, vulgarizaram. Quando a homenagem era recordar, massacraram.

Carlos Dias
17 Jan 2014

O falecimento de uma figura desportiva tão ligada a um clube, como foi Eusébio, poderá exacerbar a clubite, ter algumas reações e opiniões adversas. Até aceito. Mas antes da figura desportiva existe uma pessoa, um pai de família, uma figura que nessa hora merece respeito e luto. Por esse motivo, não aceito que um jornalista na hora de homenagear, com silêncio ou com palmas, esteja a filmar/fotografar no centro do Estádio da Luz, em cima da urna, onde deveria estar SOMENTE  Eusébio. Não aceito, que no momento de homenagear a figura desportiva universal e a pessoa do Eusébio, retirem cachecóis de outros clubes. Não aceito, que no minuto de silêncio o interrompam com cânticos ou assobios. Tudo isto representa uma falta de cultura desportiva, educação ou de formação pessoal inaceitáveis. Os princípios ensinam-se, os valores transmitem-se. Mas há mais: numa fotografia de um jornal, constatei um elemento de Estado que ao passar à frente da urna de Eusébio estava a falar ao telemóvel. Assisti a questões de jornalistas (explorando o sentimento das pessoas, com perguntas redundantes, desnecessárias e inapropriadas) à porta da sala onde a urna se encontrava, questionando as pessoas, do género: “O que é que está a sentir?”. Com este tipo de atitudes e comportamentos não estamos a contribuir para homenagear a pessoa e o atleta, muito menos a sensibilizar, formar e educar.
Lamento, ainda, alguma falta de sensibilidade de algumas figuras, que para além de intelectuais são tacanhas e limitadas, ao não respeitarem e relevarem a importância da figura universal do mundo do desporto que foi Eusébio, e que não consigam reconhecer a sua importância como embaixador na divulgação do produto “Portugal”.
Ter “rostos” incontornáveis da nossa cultura (em que o desporto está necessariamente incluído) com projeção mundial tem uma importância que não se encerra na sua figura, pois tem impacto significativo em muitas áreas de desenvolvimento cultural e turístico.
Cristiano Ronaldo, assume, hoje, também esse papel. Para além do desportista que é, a sua imagem corre o mundo. Entre outras figuras, CR7 poderá ser um elemento crucial na interceção de imagem, de marketing e de divulgação do nosso País. Para quem tem no Turismo um dos produtos de “exportação”, este acontecimento tem um valor incalculável.
As lágrimas de CR7 foram sentidas, sinceras e humildes. Elas refletem entrega. Toda a imprensa mundial se rendeu e destacaram as lágrimas da glória do futebolista português.
As lágrimas de Cristiano Ronaldo são douradas porque refletem o seu empenho e trabalho em conquistar este troféu, mas também porque promovem, de forma direta, o nome do nosso País por todo o mundo, provavelmente, muito mais do que três ou quatro campanhas promocionais do Turismo de Portugal.




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