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Unidade dos cristãos

1Entre 18 e 25 deste mês de janeiro decorre a semana de oração pela unidade dos cristãos subordinada ao tema «estará Cristo dividido?» (1 Coríntios 1, 13). Um dos escândalos que nós, os cristãos, continuamos a dar é o das nossas divisões. Escrevo continuamos porque há divisões que vêm de longe e, não obstante os esforços feitos, ainda se não chegou à unidade pretendida por Jesus (João 17, 21). Às nossas divisões se refere o Papa Francisco, na exortação apostólica A alegria do evangelho (Evangelii gaudium): «Dentro do povo de Deus e nas diferentes comunidades, quantas guerras! No bairro, no local de trabalho, quantas guerras por invejas e ciúmes, mesmo entre cristãos!

Silva Araújo
16 Jan 2014

O mundanismo espiritual leva alguns cristãos a estar em guerra com outros cristãos que se interpõem na sua busca pelo poder, prestígio, prazer ou segurança económica.
Além disso, alguns deixam de viver uma adesão cordial à Igreja por alimentar um espírito de contenda. Mais do que pertencer à Igreja inteira, com a sua rica diversidade, pertencem a este ou àquele grupo que se sente diferente ou especial» (número 98).
 
«Dói-me muito, escreve também, comprovar como nalgumas comunidades cristãs, e mesmo entre pessoas consagradas, se dá espaço a várias formas de ódio, divisão, calúnia, difamação, vingança, ciúme, a desejos de impor as próprias ideias a todo o custo, e até perseguições que parecem uma implacável caça às bruxas» (número 100).
 
2. É necessário construir a unidade, correspondendo ao expresso desejo de Cristo, o que impõe tomemos consciência do muito que nos une.
Escreve também o Papa Francisco:
«Dada a gravidade do contra-testemunho da divisão entre cristãos, (…) torna-se urgente a busca de caminhos de unidade». (…). «Se nos concentrarmos nas convicções que nos unem e recordarmos o princípio da hierarquia das verdades, poderemos caminhar decididamente para formas comuns de anúncio, de serviço e de testemunho». (…) «São tantas e tão valiosas as coisas que nos unem!» (número 246).
 
3. Para construir a unidade é importante o testemunho que nós, os cristãos, temos obrigação de dar.
«Para quantos estão feridos por antigas divisões, escreve o Papa Francisco, resulta difícil aceitar que os exortemos ao perdão e à reconciliação, porque pensam que ignoramos a sua dor ou pretendemos fazer-lhes perder a memória e os ideais. Mas, se virem o testemunho de comunidades autenticamente fraternas e reconciliadas, isso é sempre uma luz que atrai» (número 100).
 
4. A unidade que se pretende não é sinónimo de uniformidade mas respeita a legítima diversidade. Evangelizar não é impor uma cultura, mas reconhecer o outro como um ser igual e diferente.
«Ao longo destes dois milénios de cristianismo, lembra o Papa Francisco, uma quantidade inumerável de povos recebeu a graça da fé, fê-la florir na sua vida diária e transmitiu-a segundo as próprias modalidades culturais. Quando uma comunidade acolhe o anúncio da salvação, o Espírito Santo fecunda a sua cultura com a força transformadora do Evangelho. E assim, como podemos ver na história da Igreja, o cristianismo não dispõe de um único modelo cultural, mas “permanecendo o que é, na fidelidade total ao anúncio evangélico e à tradição da Igreja, o cristianismo assumirá também o rosto das diversas culturas e dos vários povos onde for acolhido e se radicar”. Nos diferentes povos, que experimentam o dom de Deus segundo a própria cultura, a Igreja exprime a sua genuína catolicidade e mostra «a beleza deste rosto pluriforme» (número 116).
«Se for bem entendida, a diversidade cultural não ameaça a unidade da Igreja» (número 117).
«Não faria justiça à lógica da encarnação pensar num cristianismo monocultural e monocórdico» (idem). 
 
5. O caminho da unidade é o amor.
«Peçamos ao Senhor, recomenda o Papa Francisco, que nos faça compreender a lei do amor. Que bom é termos esta lei! Como nos faz bem, apesar de tudo amarmo-nos uns aos outros! Sim, apesar de tudo! A cada um de nós é dirigida a exortação de Paulo: «Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem» (Rm 12, 21). E ainda: «Não nos cansemos de fazer o bem» (Gal 6, 9).
Todos nós provamos simpatias e antipatias, e talvez neste momento estejamos chateados com alguém. Pelo menos digamos ao Senhor: «Senhor, estou chateado com este, com aquela. Peço-Vos por ele e por ela». Rezar pela pessoa com quem estamos irritados é um belo passo rumo ao amor, e é um ato de evangelização. Façamo-lo hoje mesmo. Não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno!» (número 101).




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