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Ódio é estupidez

No passado fim-de-semana aconteceu em Braga um fenómeno quase histórico. Não me refiro à inquestionável vitória do SC de Braga sobre os nossos rivais de além-Ave mas ao entendimento entre as duas direções. Tal como tenho escrito muitas vezes, é essencial que clubes como o SC de Braga e o Vitória de Guimarães se mantenham unidos. Há, no futebol português, três clubes que controlam as principais estruturas e guerreiam-se entre si para saber quem “manda” mais e quem tem mais influência sobre os árbitros, bem como sobre os diversos organismos de cúpula. Enquanto se guerreiam, em polémicas por vezes absurdas, mas outras vezes em autênticas lutas de galos pelo poleiro, os outros clubes tendem a assistir impávidos, ou então a agir como pintainhos que procuram no chão as migalhas deixadas pelos galos da capoeira.

Manuel Cardoso
16 Jan 2014

Durante muitos e tristes anos o SC de Braga foi o pintainho, de bico caído, à procura dessas migalhas. O Vitória também já passou por fases dessas. É tempo de acabar com isso. Podemos não ser galos de tipo capão mas também não somos pintos indefesos. No entanto, se nos desviarmos para guerras estúpidas e rivalidades tão psicóticas como a que temos vivido nos últimos anos, não faremos mais do que legitimar a preponderância dos tais três candidatos a “reis da capoeira”.
No futebol português há um grupo de clubes que pode, a médio prazo, colocar em causa essa hegemonia; dois deles são do Minho: o Vitória e o SC de Braga. É preciso que os adeptos destes dois clubes se convençam, de uma vez por todas, que os nossos verdadeiros adversários estão mais a sul. É fundamental que entendam que desunidos seremos sempre prejudicados.
Agora, é tempo também de fazer com que a harmonia reconquistada pelos líderes dos clubes seja transposta para os adeptos. Que as claques, ou melhor, quem delas faz mau uso, desista daquela estupidez que é levar a violência para a rivalidade entre os clubes. Os nossos vizinhos têm os mesmo interesses que nós; isso, de facto, é motivo de rivalidade e até é saudável; mas é muito mais que isso; é motivo para que encaremos juntos os desafios que o futebol português nos coloca, nomeadamente esse centralismo que é causa de tantas injustiças e desequilíbrios.
Neste momento, nem SC de Braga nem Vitória podem lutar por um título nacional; mas o primeiro passo para lá chegar é deixar de procurar alianças com os autodenominados “grandes“ e encetar estratégias conjuntas, funcionando como verdadeiros aliados e não teimando numa rivalidade que, nos últimos anos, só tem provocado problemas. Ainda gostava que alguém fosse capaz de encontrar uma única vantagem dos confrontos, da inimizade, do ódio que alguns adeptos (?) têm alimentado nos últimos anos.
Este discurso não é, portanto, moralista, como alguns entendem; é pragmático. Um bom relacionamento entre estes dois grandes clubes pode acarretar benefícios mútuos e, portanto, não se trata apenas de uma questão de moral e bons costumes. Neste como em muitos outros aspetos da vida, ódio é estupidez.




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