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O melhor dos melhores

1. No desporto como em todos os quadrantes da intervenção pública, há sempre aqueles que se distinguem dos demais, pela sua competência, pela sua capacidade de trabalho, pelo seu espírito de liderança ou pelos níveis de criatividade e inovação inerente ao seu desempenho. Em condições normais, a conjugação de cada um destes factores redunda em índices de êxito acima da média, tanto maiores quanto mais relevante o volume de cada um destes atributos presente. Em termos relativos, haverá sempre aqueles que se destacam entre os seus pares e que são justamente considerados os melhores.

Ricardo Rio
16 Jan 2014

Ora, se a apreciação relativa é fácil de realizar, a definição de um “melhor” absoluto torna-se profundamente mais complicada e mais sujeita a análises subjectivas, tanto maior quanto mais diversificados forem os critérios e as circunstâncias passíveis de serem tidas em linha de conta.
Mas, poder-se-á colocar a questão: será verdadeiramente importante aferir quem são os melhores de entre os melhores?

2. O exercício anterior é sempre aliciante, quer para os juízes, quer para os candidatos, mas pode revelar-se injusto e fortemente condicionado por factores que extravasam as matérias objectivas em confronto.
Mesmo abstraindo do nosso interesse directo enquanto Portugueses, será possível avaliar com justiça quem é o melhor jogador da actualidade entre Messi e Ronaldo?
Ou, tal como aconteceu no passado com outras grandes estrelas (lembre-se a disputa entre Figo e Zidane no início do século XXI) terá havido anos em que Messi superou Ronaldo e outros, como 2013, em que Ronaldo foi claramente melhor que Messi?
E, em termos absolutos, será que o melhor de Messi é melhor que o melhor de Ronaldo?
Mesmo à parte das disputas entre Portugueses e Argentinos ou Madridistas e Catalães, sempre haverá quem prefira um a outro por razões tão arbitrárias quanto a personalidade/visibilidade pública dos dois atletas, a imagem das namoradas ou o gosto nos fatos escolhidos para a participação na Gala da Bola de Ouro…   

3. Mesmo descontando o efeito empático que decorre do pesar, justo e generalizado, que varreu a Nação Lusitana por ocasião da partida precoce de um dos seus ícones, será que alguém pode afirmar com certeza que Cristiano Ronaldo teria sido melhor que Eusébio ou que o Pantera Negra seria hoje claramente melhor que o “Comandante”?
O exercício é marcadamente arbitrário e porventura inútil, tal o patamar único a que um e outro se guindaram no contexto nacional e mundial.
Mas, a seguir essa mesma linha, estarão os meus netos a discutir daqui por 50 anos se Cristiano Ronaldo merece ou não o seu lugar no Panteão Nacional? Ou, voltando um pouco atrás, e Luís Figo?
Pessoalmente, creio que quem quer que se consiga “libertar da lei da morte” no futebol ou em outra actividade é credor de tal homenagem.
E mais gostaria que tivessem que ali ser sepultados os 23 heróis que trouxessem o título mundial do Brasil… Afinal, esse seria o melhor tributo a Ronaldo e a mais bela homenagem a Eusébio.

 
 




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