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Cultivar uma nova e robusta mentalidade

O meu objetivo, através de uma alargada visão, sem minuciosidades e detalhes das filosofias antiga, medieval, moderna e contemporânea, é encaminhar todas e quaisquer especulações, que por aí serpenteiam, evitando que sejam um obstáculo à luz resplendorosa de uma nova e robusta mentalidade, instrumento preciosíssimo da pessoa na sua convivência com o seu mundo. O que é, para mim, uma nova e robusta mentalidade? A seu tempo o direi. Agora, estou a especular com que lençóis nos cobriram as diversas épocas do pensamento filosófico, que vou desfiar.

Benjamim Araújo
15 Jan 2014

A conceção científico-religiosa, imponente sem dúvida, que encantava e absorvia o homem antigo e medieval, era a conceção teocêntrica, isto é, a fé em Deus. Girando à volta desta conceção, o homem antigo e medieval fazia rodopiar todos os seus valores existenciais e eternos.
A mentalidade, que acompanhava a norma da conduta, era esta: – Como tenho fé em Deus, posso, assim o creio, trazer Dele toda a segurança às minhas inseguranças existenciais. Contudo, as inseguranças persistiam teimosamente e a pertinência da sua superação estava ausente. A voz inteligente da persistência bebia a sua energia perturbadora na fonte da Sabedoria de que Deus, com o Seu poder, com o Seu amor e sabedoria, criara o homem, envolto no seu indelével poder de autonomia, liberdade, dever e responsabilidade. Deus, sem deixar de ser Deus, deslocou-se para aqui. Agora, a fé do homem está, aqui, imanente nos dotes que recebeu pela graça de Deus. Era esta a lição, emanada da insegurança, que urgia intuir, compreender, amar e ativar.
Os que primeiro tentaram compreender esta lição foram os filósofos da época moderna. Falavam assim: – Afinal as crises existenciais persistem, muito embora predomine, em nós, a fé em Deus. Que fazer? A solução, para eles, foi então, transferir a conceção teocêntrica para este nova conceção – a antropocêntrica. A fé em Deus dá lugar à fé na razão do homem. A fé na razão é, agora, idolatrada. É de salientar, com base nesta conceção, o pujante surgimento de muitos fracassos e conflitos. Esta época, a moderna, também não compreendeu nem intuiu a lição, aurida das inteligentes inseguranças.
Salta, agora, para o palco das soluções, a filosofia contemporânea. O seu intuito é dar-nos uma solução para os fracassos e conflitos vigentes. A contemporaneidade, para atingir o seu objetivo, vira-se para o realismo, para o pluralismo, atualismo, irracionalismo e para o homem concreto. Lança-se, enfim, para a existencialidade.
A filosofia contemporânea que hoje nos envolve, também não compreendeu nem intuiu a lição imanada das inseguranças, cuja origem vem da conceção teocêntrica.
Que lição podemos aprender e intuir das inseguranças? Todas as conceções (teocêntrica, antropocêntrica e existencialista) têm as suas verídicas razões. Contudo, nenhuma delas, isolada, abarca uma razão global e ajustada. O problema das inseguranças continua.
Entre todas as conceções, falta a conceção transcendental, que tem o seu fundamento no ôntico da nossa autêntica natureza. Esta conceção exige, naturalmente, que toda a realidade global esteja unida, integrada, conetada e sintonizada com a nossa estrutura ôntica, explicitada na unicidade e na identidade dos seus predicados transcendentais.
Para mim, uma nova e robusta mentalidade, bem como um coração livre, é aquela que, abrindo-se a toda a observação sensorial, à emoção, ao sentimento, aos apetites e desejos da vontade, a todas as experiências, à meditação e à contemplação das contemplações (Deus), aceita, sem despotismos e, como sua manifestadora, o domínio, a autoridade e as exigências do seu autêntico e ôntico ser (a natureza humana). Parto deste ser para a compreensão de todas as verticalidades e horizontalidades da vida e não desconsidero as disputas entre cientistas e teólogos acerca destes contínuos problemas (inseguranças, ódios, marginalizações?).




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