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Contra a lógica do aparelhismo partidário

Nunca foi tão apetecida e disputada, como hoje, para os nossos jovens a vida político-partidária, porque um lugar na política garante emprego e boa remuneração; e, por isso, os vejo, por aí, numa assanhada disputa por um lugar ao sol nas estruturas partidárias locais que rampa de lançamento são para a política nacional e, até, europeia. Ora, esta realidade leva os partidos a regerem-se mais pelos seus interesses do que pelos interesses nacionais; e isto evidencia-se na forma de estar e fazer oposição aos governos, sempre na lógica do contra e do bota-abaixo e raramente ou nunca na do aplauso e da consensualidade.

Dinis Salgado
15 Jan 2014

E no que concerne à escolha interna dos dirigentes locais, regionais ou nacionais manda mais o domínio do aparelho do que a competência e seriedade dos candidatos; então, os fenómenos de caciquismo e chapelada fazem escola, chegando-se, inclusive, ao suborno e às manobras de baixa política nos atos eleitorais. E, assim, evidente é que a maior parte dos dirigentes nacionais (primeiro-ministro, ministros e deputados, incluídos) saia das juventudes partidárias, sem experiência nem maturidade e, apenas, obedecendo ao carreirismo e aparelhismo partidários.
Todavia, isto não é saudável nem educativo, porque lança jovens contra jovens, jovens contra seniores e deturpa a prática democrática e transforma os partidos em arenas de lobos contra cordeiros; e abre conflitos intergeracionais que não trazem vitalidade nem dinamismo à vida democrática. E, como diz Aristóteles – porventura, o mais sagaz analista político de todos os tempos – a democracia degenerada é demagogia e anarquia.
E, assim, de nobre arte de saber fazer e saber estar ao serviço da comunidade, transforma-se a política na arte do charlatanismo, do arranjismo, do compadrio, da chapelada, das meias verdades, mentiras e ilusões e, pasme-se, até do monarquismo (filhos a sucederem aos pais e netos aos avós); e porque a verdade incomoda, compromete e obriga a pensar e a prestar contas, mais fácil e cómoda é alienar através da informação e ação demagógicas, distorcidas e cor-de-rosa.
Pois bem, se os partidos políticos são necessários à democracia, da forma como se organizam e, apenas, mais voltados para dentro do que para fora de si próprios e, assim, obstaculizando o debate de ideias e o diálogo social, aberto e plural, facilmente redundam em clubes privados de duvidosa e restrita atuação; e longe, cada vez mais longe do povo de que dependem, mormente eleitoral e monetariamente.
Será, pois, mais lógico e justo que tais partidos vivam economicamente de fundos próprios (quotas dos militantes e simpatizantes, e formas de angariação de meios), do que ser o povo a sustentar quem, prioritariamente, não defende os seus interesses, nem luta pelas suas necessidades; e, quase sempre se entretêm, entre si, em jogos de poder e guerrilhas de bastidores que nada de útil e benfazejo lhe trazem. Mesmo sabendo-o desprotegido e sofredor.
Ora, assim sendo, caso é para praguejarmos:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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