Fotografia:
No rescaldo do XXV Congresso do CDS-PP

O último fim de semana político foimarcado pela realização do XXV
Congresso do CDS-PP, que teve lugar
em Oliveira do Bairro, distrito de Aveiro,
numa intencional homenagem do partido
a um concelho que passou a dirigir
desde as últimas Eleições Autárquicas.
Por se tratar do maior conclave de um dos
partidos que formam a maioria que apoia o
Governo de Portugal, as habituais atenções
que a comunicação social devota a um evento
desta natureza foram redobradas.

J. M. Gonçalves de Oliveira
14 Jan 2014

À partida, como se pôde comprovar, não
havia razões para duvidar que o congresso
decorreria em clima de serenidade e que
Paulo Portas seria mais uma vez reeleito
líder, com esmagadora maioria. Apesar
de haver quem se interrogasse sobre as
respostas que o atual vice-primeiro-ministro
teria para dar aos congressistas e ao
país sobre questões delicadas como as
razões da crise política do último verão
ou o incumprimento de promessas eleitorais,
a todos elucidou com inteligente
lucidez, não se cansando de sublinhar a
presente situação de excecionalidade que
Portugal ainda atravessa.
Ninguém tem dúvidas que o país se encontra
refém de credores que, por terem
emprestado o dinheiro que nos salvou da
bancarrota, nos impõem condições muitas
vezes incompreensíveis e difíceis de
cumprir. Por isso, o Governo tem atuado
coagido e condicionado e impõe-se terminar
esta brutal submissão no tempo estritamente
necessário para o fazer.
Paulo Portas, ao longo das intervenções
feitas no decorrer do congresso, não se
cansou de pôr a tónica no caráter de exceção
que o país vive, nas enormes dificuldades
do Governo para contornar as exigências
da “Troika” (Banco Central Europeu,
Fundo Monetário Internacional e Comissão
Europeia) e nos grandes sacríficos
que o povo português tem suportado,
apelando ao Partido Socialista, maior
partido da oposição, para se comprometer
com o objetivo patriótico de libertação
daquela tutela estrangeira.
Os recentes indicadores económicos nacionais,
a descida continuada das taxas
de juro e a conjuntura europeia levam-
me a acreditar que estamos mesmo
na reta final que nos levará a terminar
o programa de assistência financeira
no próximo dia 17 de maio. Será um
marco importante e deverá constituir um
ponto de viragem na condução do nosso
destino coletivo.
Em quarenta anos de democracia houve
necessidade de recorrer por três vezes à
ajuda externa para podermos honrar os
nossos compromissos, com as consequências
que jamais devemos esquecer.
É tempo de escolher um outro caminho
que nunca mais venha a desembocar num
desfecho semelhante. É tempo de todos
os políticos responsáveis, em comunhão
com as múltiplas instituições representativas
da sociedade, deitarem mãos à obra
e elaborarem um plano de desenvolvimento
que, com respeito pelas diferentes
opções ideológicas, não mais permita
alimentar falsas ilusões, gastando o que
não temos e hipotecando as gerações que
nos irão suceder. Um modelo onde não
haja lugar à impunidade, ao compadrio e
à irresponsabilidade, onde se atalhe com
emergente energia o inverno demográfico
e se dê um combate sem tréguas à desertificação
do interior do país.
Atualmente, a sociedade portuguesa está
bem diferente do que era a algumas décadas
atrás. Apesar de algumas vicissitudes
que lhe são apontadas, a generalidade do
povo está melhor preparada para vencer
os desafios do presente e encarar o futuro
com mais confiança. A aposta há muito
feita na educação, apesar de tudo o que
tem sido dito e o que julgo ser possível
melhorar, contribuiu decisivamente para
elevar a qualidade da gente que somos.
Também por esta razão, julgo possível e
mais fácil mudar de rumo.
No rescaldo do XXV Congresso do CDS-
-PP, que pude seguir, vislumbrei importantes
sinais que penso imperioso ver repetidos
noutros agentes políticos. Sinais que
se podem resumir em colocar o interesse
geral à frente das vantagens particulares,
em dar primazia ao essencial em desfavor
do acessório, em servir em lugar de
servir-se, enfim, em colocar sempre em
primeiro o interesse nacional.
Se não percorrermos este novo caminho,
continuaremos a penhorar o futuro coletivo
e não seremos capazes de honrar mais
de oito séculos da nossa história.




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