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E ponto final

Perguntamos muitas vezes uns aos outros por que razão os portugueses se vão afastando, paulatina mas inexoravelmente, dos atuais partidos políticos. Por que razão os independentes deram aquela banhada nos partidos nas últimas autárquicas? Porque as pessoas dizem que não entendem os discursos dos políticos e quem não compreende não ama. Umas vezes falam de dentro para fora, como se perdessem a realidade que os elegeu; outras vezes falam de fora para dentro, como não soubessem a realidade que os há de eleger;

Paulo Fafe
13 Jan 2014

se uns dizem que vamos melhorando da doença que nos tem debilitado há décadas, que a febre já não está a quarenta e que o doente abriu os olhos pela primeira vez depois de sair do coma, logo outros nos dizem que não é nada disso, que o doente está ainda mais doente do que o que estava há anos, que o enterro já deveria ter sido feito, que as conversas das melhorias são contos de natal, fantasias, etc. etc. E o povo, perante estas duas visões, fica sem saber em quem acreditar. E teme. Teme como os navegadores temiam o Adamastor; teme porque não sabe se os que estão a governar darão conta do recado e teme porque não sabe se os que querem entrar para  a governação serão capazes estragar tudo. E este é o drama que a sociedade atenta está a passar. Quer dizer, não sabe verdadeiramente a quem há de dizer sim, ou a quem há de dizer não. Embora já há muito esteja acostumada em dividir ao meio o pessimismo e otimismo dos opositores, mesmo assim  fica com uma conscientização desequilibrada porque a sua  opção oscila como arbusto fustigado por ventos de rumos  incertos. E o povo sente que nenhum fala a verdade inteira e, por isso, vai virando-lhes as costas. É sinal bem mais significativo que um mero amuo. O amuo passa com as pazes mas o divórcio raramente se faz em paz. A sociedade portuguesa está em sofrimento porque olha para o PS e não encontra nele um pingo de colaboração para uma alternativa de futuro. Ouve os seus discursos e tudo se esboroa numa demagogia de promessas demagógicas e numa dialética sem sentido prático. Não percebemos por que razão não faz com o atual Governo uma “aliança” para uma década sobre leis estruturantes da economia deste país. O PS está pouco atento porque sabemos todos quanto isso o poderia beneficiar num futuro próximo governo e, no entanto, está mais próximo, cada vez mais próximo, de um partido de contestação. Olhamos para o Presidente da República e ficamos-lhe gratos, porque quer queiramos quer não, ele tem sido o garante da estabilidade política que é a grande avalista do investimento. O investidor não investe por uma legislatura, investe a prazos maiores. Muitas vezes o  retorno do capital investido só vem depois de muitos anos de laboração. Se o investidor souber que as leis se mantêm durante uma década ou mais, pode fazer os seus cálculos e então investe. Se a mudança das leis fundamentais mudam a cada mudança de governo, ninguém investe. O PS,  ao tornar-se um partido de protesto,  está a perder  o estatuto de estadista que já teve e se  lhe exige como futuro governo. Deixe a algazarra da passarada. Esqueça o regougar de velhas raposas. Torne-se um partido moderno e com visão de estado. O país precisa de um PS dessa dimensão, diferente para melhor, se quer impor-se a todos; o que atualmente tem, parece-me mesquinho e pequeno de mais. O voto virá por acréscimo do reconhecimento do estatuto de estado que os eleitores lhe outorgar. Mas em que beneficiariam os portugueses com este consenso? Se o consenso é investimento, como julgamos, o investimento é emprego, o emprego é rendimento e o rendimento é dignidade humana. E ponto final.




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