Fotografia:
Um país em “desconstrução”

É imparável e inaceitável esta onda de emigração que assola Portugal! Esta onda que atinge inexoravelmente a nossa juventude. Esta onda que destrói a esperança de algum dia haver um futuro tranquilo e prometedor neste país que se despovoa de vontades, de talentos e de alma. Como é possível assistir a este êxodo forçado de energia, de criatividade e de qualificação sem expressar a mais viva repulsa e indignação?! Como é possível presenciar o triste espectáculo das vidas que se vão, já sem saudade e sem reacção, absortos e de braços caídos?! Temos que dizer basta! Temos que exigir a esta gente que se apoderou do poder para ser sensata, íntegra e inteligente.

Armindo Oliveira
11 Jan 2014

Para ser criativa, exigente e determinada. Para olhar para o país com dignidade e com zelo. Para governar, simplesmente! É isso que eles têm que fazer: governar. E fazer como deve ser. Com competência e espírito de servir. Com dedicação e sentido patriótico. Nada, absolutamente nada de mesquinhices e de lutas partidárias estéreis. O tempo não está para brincar às políticas. O tempo é para arregaçar as mangas e lutar tenazmente para se alterar o estado de coisas que vai causando mazelas profundas na sociedade portuguesa.
A crueza dos números – desemprego, sobreendividamento, défices, emigração – representa bem o estado da alma de um povo e a depauperação da economia nacional que está algemada pelos interesses de alguns e pelas incapacidades de quem nos governa. Será muito complicado sairmos da situação aflitiva em que nos encontramos sem jovens, sem massa crítica e sem capacidade produtiva. É por isso que apostar fortemente na nossa juventude seria o caminho certo para se vencer muitas das vicissitudes e partir, com outro espírito, rumo ao progresso. Mas, infelizmente, não é isto que vemos e sentimos. O que se vê, são jovens já resignados e enfileirados no êxodo maciço para o exterior. O que se vê são as famílias a perderem os seus filhos. O que se vê são cidades, vilas e aldeias a ficarem cada vez mais velhas, mais pobres e mais abandonadas, principalmente as localidades do Interior.
Chegamos ao ponto de ver partir para trabalhar no estrangeiro todos os dias, em média, 330 pessoas, sendo o contingente dos “debandados” formado por uma fortíssima percentagem de jovens qualificados. Jovens, cheios de vigor e de vida, desejosos de mostrar o seu potencial e as suas aptidões. Jovens que se vêem arrumados nas listas dos Centros de Emprego, simplesmente à espera do nada, porque, de facto, pouco ou nada existe que prenda esta juventude ao seu país, às suas origens, à sua cultura, às suas famílias. Pacientemente. Sem esperanças. Já exaustos das incompreensões e dos devaneios das políticas ocas, das estatísticas encomendadas e das retóricas inconsequentes. Inconformados, mas não vencidos. Por isso, partem. Partem tristes, desiludidos e revoltados com os políticos que infernizaram este bonito país. Partem com as suas forças anímicas já quebradas pelas amarguras das suas próprias impotências.
Acreditaram. Acreditaram que um dia o país lhes pediria o seu contributo para o tornar mais belo, mais justo e mais real. O país os formou e o país os despeja, agora, de forma inglória, porque a classe política, toda ela, não foi capaz de criar as condições normais para fixarem esta mão-de-obra bem preparada e bem formada. Partem com a firme esperança que vencerão no país de acolhimento, porque estão bem preparados, confiam nas suas próprias capacidades. Porque, enfim, é gente valiosa.
A emigração, realidade amarga e incompreensível, está a exaurir o país da força, do talento, da irreverência. Portugal definha enfadonhamente e perde aquela alegria juvenil e a capacidade de trabalho única para inverter o sinal de decadência social e económica que se arrasta há muito tempo. Por este andar, no território só ficarão os velhos e os inaptos a marcar presença. Uma presença apagada, inglória e de pobreza. Sem jovens somos, de facto, um país pobre, triste e sem futuro. É isto que queremos? Um país à imagem de uma classe política medíocre, facilitadora do clientelismo e gananciosa?




Notícias relacionadas


Scroll Up