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Outro Ponto de Vista…

Nesta crónica primeira de 2014, algumas notas reflexivas. E neste 2014, O tempo é de valorizar uma cultura capaz de realçar o carácter moral, de reforçar o campo das virtudes e deveres e, ao mesmo tempo, denunciar a cultura do facilitismo – uma forma de igualitarismo que está a minar a nossa sociedade, cada vez mais vítima de uma mentalidade dada a benesses e a falsos direitos. O que importa redescobrir é a liberdade como um dever de praticar a virtude, como amor ao trabalho bem feito, que todo o homem de bem deve almejar.

Acácio de Brito
10 Jan 2014

Nunca é de mais frisar que a única forma de as sociedades serem éticas é que o sejam as pessoas que as integram, tanto no seu comportamento indivi-dual privado como na sua actividade profissional ou social, impondo a si mesmos altos padrões morais.
Parafraseando Moreira, um gentleman não se dá ao desfrute de fazer tudo o que pode, sujeita-se livremente à lisura de procedimentos, ao “fair-play”.
Até porque, “a ânsia de liberdade é comum ao homem superior e ao mendigo que não quer trabalhar. Assim as instituições sociais tanto podem significar a expressão da liberdade como a expressão da incúria e do desleixo”.
Em suma, a boa ética, que corresponde à ânsia de liberdades individuais autênticas, significa, por isso, auto-rigor, autodisciplina, cumprimento voluntário da palavra dada, mas também satisfação pelo livre cumprimento do dever.
Uma atitude que, por certo, obriga a dar menos valor a uma cultura que se compraz com a moleza da praia, a aventura sem compromisso, o relaxe ou mesmo do laxismo, e a valorizar uma cultura de alta montanha, de dura exigência, de elevação, de livre entrega a altos e estáveis compromissos, onde as regras autoimpostas de isenção e imparcialidade incitam a uma sã e competitiva criatividade exercida dentro das normas.
Uma criatividade e inovação que é fruto da liberdade e da profundidade dos compromissos que alimentam a qualidade da vida de quantos aspiram a subir sempre mais alto.
Ou não fossem os valores mais altos os mais profundos!
Embora em modo e tempo de comportamentos austeros, não posso nem quero deixar de desejar a todos e a cada um, bom ano de 2014.

Post-Scriptum: A partida de Eusébio, grande Português africano, deixa-nos com profunda tristeza. Nos céus habita mais um herói!




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