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Caminhando faz-se caminho

Enquanto nas grandes religiões, teólogos e pensadores, se procura interpretar ou entender a vontade sobrenatural em prol da humanidade que vive e sofre, os filósofos, os políticos, psicólogos e críticos, preo-cupam-se em praticar atos ou acontecimentos na sociedade e no mundo material, a bem de todos, conforme vem acontecendo, embora o Mundo tenha tido graves “acidentes” por egoísmos e ganâncias. Tantos “acidentes” de percurso entre vários povos dão-se porque há homens excessivamente corruptos e destituídos de afetividade. Governam o mundo exterior, mas não se administram a si mesmos, por isso não conseguem construir um mundo social justo, afetivo e irrigado de solidariedade.

Artur Soares
10 Jan 2014

Logo, o mais importante era que todos – preparados e consciencializados – sob o mesmo respirar, transformassem, melhor, melhorassem tudo.
Pelo que se afirma, pelo que se opina ou deseja, poderá ser utopia, pois nem todos os homens têm a mesma inteligência, a mesma ideologia e a mesma vontade. É que os homens são como o comboio: uns são máquinas que puxam e outros terão de ser forçosamente as carruagens.
Mas… neste Mundo de diferenças na competência e nas qualidades pessoais, importa ter em conta que nem todos servem para agir em tudo, mas todos servem para agir nalguma coisa.
Em todas as nações há a cons-ciência plena de que as injustiças sociais existem e as oportunidades não se apresentam a todos de igual modo e ao mesmo tempo. São tão antigos tais atropelos e tão denunciados que a doutrina do próprio Cristo já ensinava que os ricos não fizessem tantos pobres.
Assim, nesta linha de raciocínio e porque de todos é conhecida a pobreza (económica) Mundial, vão as nações caminhando – com dificuldades e devido a imperfeições de ação humanas – no sentido de algo melhorar, segundo as capacidades, vontades e seriedade dos seus dirigentes.
No nosso caso é evidente a vida social ser melhor que há cinquenta anos. Mas Portugal, não sendo país de grandes recursos, tem, teremos de ser gente mais organizada, mais responsável, mais fiscalizadora na ação dos políticos e mais produtora, pois inclusivamente, já um ministro da Agricultura se queixou de que se não fosse a Espanha não se comia fruta em Portugal que, no meu entender, foi dar um tiro no próprio pé. Assim, só atentos, nunca fabricantes de mazelas sociais e solidários tanto quanto for possível, seremos livres porque conscientes.
Será sempre verdade que não é com peixe dado e já pescado que avançamos; nunca serão rigorosamente justos os rendimentos mínimos garantidos, porque fomentam a preguiça e o desinteresse pelo trabalho. Há que facilitar sim a existência e a distribuição das canas para se procurar pescar nas águas que melhor se entenda.
Causa espanto, estupefação até, verificar-se em qualquer ponto do país a qualquer hora do dia, resmas de pessoas olhando montras, conversando e outros encostados à espera que o tempo passe, talvez para comerem o almoço que outros ganharam.
A caminhar se faz caminho. Portanto há que rever situações, analisar as feridas da sociedade e acabar com frustrações que, começam a encher demasiado o cântaro que leva à revolta.
Acreditamos que nunca é tarde para melhorar, uma vez que os fortes reconhecem os seus erros, embora os fracos não os admitam. Os fortes admitem as suas limitações, os fracos disfarçam-nas. Os fortes usam o diálogo e promovem a liberdade, os fracos usam a força e procuram dominar os outros.
Constata-se que entre nós têm sido os mais fracos, as enguias de águas turvas a dominar e a possuir o que nunca lhes pertenceu e muito menos o ganhou. Há por eles concretizado o esbanjamento de dinheiros públicos, de despesas duvidosas e de investimentos ruinosos que poderiam ter sido empregues em postos de trabalho e na renovação de materiais que visassem maior riqueza nacional. Se assim tivesse sido, não teríamos o salário mínimo ultrajante que temos em comparação às necessidades existentes e ao salário de outros países da Europa.
A ter razão, creio que não é com a existência de pobres escondidos e públicos que crescemos; não é com fracos salários ou redução de salários a quem produz e produziu que incentivamos; não é com a ausência de esforços coletivos, desinteresse e irresponsabilidade, que se faz história digna de quem pretende ser livre e consciente; não é com educação pimba, economia pimba, saúde pimba, que se formam pessoas, se transmite confiança e se respira vida sã; não é com habilidades, mentira, bagunça, rapacidade e pagamentos de dívidas de favores políticos que nos dignificam como povo na Europa. E como escreveu o poeta: “já é tempo de ser tempo”! E há vinte anos atrás já era muito tarde ser melhor e melhor viver-se em Portugal.




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