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Cada Rei… com o seu trono

Assumindo desde já a minha incompetência motora no que se refere aos jogos de futebol nas playstations, digo também sem qualquer tipo de problemas que fui um bom jogador de matraquilhos. Mas, a que propósito abordar estes divertimentos de diferentes gerações? Porque ambos são fruto do gosto pelo futebol e podem ajudar a decifrar um enigma, quem foi/é o melhor futebolista português de todos os tempos.Na playstation, os seus jogadores correm com (e atrás da) bola, e podem jogar em diferentes espaços do campo. A bola é sempre baseada no último grito da tecnologia, e até ganha efeitos especiais.

Carlos Mangas
10 Jan 2014

Se um jogador sofre falta, há árbitro para a assinalar. Têm livres preparados em função do local onde as faltas são cometidas. Jogam em grandes estádios com apoio do público, são substituídos quando estão a jogar mal ou se lesionam. Os treinadores alteram os sistemas táticos em função das necessidades que o jogo pede. Pode-se jogar com inúmeras equipas e os jogadores transferem-se de umas para outras com grande facilidade.
Ao invés, os jogadores de matraquilhos (do meu tempo) jogavam sempre no mesmo posto específico e nasciam e morriam a jogar sempre na mesma equipa. Praticamente só recordo jogos, slb/scp ou slb/fcp. Os jogadores só rematavam e/ou passavam a pés juntos. Não havia faltas, apenas em casos excecionais, se marcavam penáltis quando se definia que não era permitido rolar os jogadores. As fintas, tipo vírgulas, faziam-se sem os jogadores saírem do sítio, porque nunca lhes era permitido… sair a jogar. Os treinadores sofriam “chicotada”… em caso de derrota, ou de falta de moeda para continuar. Não havia substituições, nem mesmo quando algum jogador ficava sem pernas devido à dureza da bola, e mesmo que fosse o GR ninguém o poderia substituir. Na melhor das hipóteses, prolongava-se o corpo com um bocado de pau mas, o jogador “perna de pau”, fazia com que a equipa praticamente deixasse de jogar (e contar) com ele. Por fim, mas não menos importante, o sistema tático era sempre o mítico 2:5:3. Já fiz inúmeras pesquisas em todos os livros possíveis e imaginários que versam sobre futebol e ainda não consegui encontrar uma só equipa a nível mundial que tenha tido sucesso, usando este sistema. Para ser sincero, ainda não encontrei nenhuma equipa, fora de uma mesa de matraquilhos, que o tenha utilizado. Completo esta comparação estapafúrdia com os misters que fazem movimentar os jogadores na playstation e nos matraquilhos. Parafraseando Gabriel Alves, os primeiros com os polegares, usam a força da técnica, os segundos à base da mão/pulso, usavam “a técnica da força”.
Quem teve paciência de seguir o meu raciocínio apercebe-se que estou a comparar coisas, praticamente incomparáveis, e porquê? Porque a recente morte de Eusébio levantou novamente a discussão sobre o melhor jogador português de todos os tempos.
É meu entendimento que a evolução do jogo (e do conhecimento deste por parte de treinadores e jogadores), dos recintos desportivos, dos sofisticados meios audiovisuais, a medicina desportiva e as restantes condições de tecnologia de ponta colocadas à disposição daqueles que praticam futebol, impossibilita qualquer tipo de comparação. Para mim, em termos nacionais, Eusébio foi o REI da sua geração e na atualidade o REI é CR7.
Por isso, quase me apetece dizer que Eusébio é o Rei dos matraquilhos e CR7, o rei das playstations.




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