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Fome e fartura

Na próxima semana há Taça da Liga. O SC de Braga defronta o Beira-Mar, em Braga (às quatro da tarde do dia 15) e em caso de vitória fica com o caminho quase aberto para as meias-finais. Trata-se portanto de um jogo muito importante, até porque nestes desafios aparentemente mais fáceis há sempre o receio de uma quebra de motivação, que é meio caminho andado para o insucesso. Esta competição tem ainda pouca tradição em Portugal. No entanto, a Liga tem manifestado um grande interesse em promovê-la. O problema é que esse interesse parece ser apenas teórico tendo em conta o calendário e o horário escolhido para a maioria dos jogos.

Manuel Cardoso
9 Jan 2014

Em relação ao calendário, num país onde se interrompem as competições por motivos por vezes obscuros, não se interrompem as ligas profissionais por causa da Taça da Liga e relegam-se os jogos para terça, quarta e quinta-feira! Para o adepto, isto tem o seu interesse porque ficamos com uma semana bem recheada de futebol. Mas, ao mesmo tempo, é um convite para que alguns clubes encarem a competição como um objetivo menor, poupando os seus melhores jogadores. Podem advogar que em outros países há mais jogos e é frequente que se jogue duas vezes por semana. Mas todos nós sabemos como o contexto português é diferente, a vários níveis.
Quanto aos horários, a situação é ainda mais ridícula: enquanto os ditos “grandes” jogam à noite, para que os encontros possam ser transmitidos pela televisão, vários jogos disputam-se à tarde, num dia de trabalho! A consequência disto será, evidentemente, bancadas vazias. Se é assim que querem promover a Taça da Liga, então, como diz o outro, boa vai ela…
Mudando radicalmente de assunto: Janeiro é mês de abertura do mercado futebolístico. Se os mercados são a obsessão que nos tem tirado o sono e os tostões da carteira, no futebol, eles são um verdadeiro filão para notícias bombásticas. No caso do SC de Braga, as notícias têm sido abundantes e, sendo verdadeiras, parece que vamos assistir a umas doses industriais de reforços. Naturalmente, se têm valor são sempre bem-vindos e bem precisados estamos. No entanto, eu gostava de recordar aqui as tremendas dificuldades que a nossa equipa técnica teve para definir um onze-base. Agora, com umas quantas dispensas e outros tantos reforços não correremos o risco de ter de voltar a fazer experiências para o escalonamento da equipa?
Não tenho grandes dúvidas sobre a razão principal pela qual o rendimento da nossa equipa melhorou nas últimas semanas: a estabilidade na constituição da equipa-base. Faço votos, portanto, para que a chegada de vários reforços não venha voltar a complicar esse processo.
Uma coisa é certa: as nuvens negras vão-se, aos poucos, dispersando e é com imensa satisfação que, neste momento, vemos o SC de Braga disputar três frentes, sendo que duas delas nos podem levar de novo à conquista de troféus. Depois de tantas hesitações e tantas críticas, talvez esteja na hora de encarar a segunda parte da época com o otimismo suficiente para voltar às conquistas a que os guerreiros nos têm habituado. A vitória sobre o nosso rival de Guimarães será, certamente, o melhor tónico para esse arranque.




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