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A ajuda que precisa de ajuda

Muito perto do final do ano passado, alguém elogiava numa estação de rádio nacional o papel que as instituições particulares de solidariedade social têm tido na ajuda a quem precisa, nomeadamente aos que vivem em situações de pobreza extrema. Como se sabe, essas entidades são constituídas sem fins lucrativos, por iniciativa de particulares, que, além do apoio às famílias, às crianças, aos jovens e aos idosos, preveem também a ajuda aos cidadãos quando escasseiam ou faltam por completo os meios para a sua subsistência.

Damião Pereira
9 Jan 2014

Dia a dia, a realidade vai mostrando – muito por culpa da situação que o nosso país atravessa – o aumento desenfreado do número de pessoas que precisam da ajuda que, infelizmente, apenas vão encontrando nas IPSS, principalmente nas que estão mais diretamente ligadas à Igreja.
Mas para que esta «almofada social» não se esvazie é preciso que o Estado torne, de facto, realidade a promessa feita há pouco mais de dois meses pelo ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, de que seria criado, durante este ano, um fundo de reestruturação de 30 milhões de euros destinado a apoiar as IPSS.
A urgência deste apoio não se pode ficar pelas promessas nem pelo papel. Tem de ser efetivada, urgentemente, já que são cada vez mais as instituições que estão a passar por graves problemas financeiros, sendo, muitas delas, obrigadas a despedir funcionários e a diminuir serviços, estando mesmo em risco a sua sustentabilidade, o que levará ao consequente encerramento.
São, por isso, preocupantes as palavras do padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, que esta semana alertou para o facto de haver a possibilidade destas instituições «colapsarem» dado o previsível aumento de pobreza em consequência do Orçamento do Estado para 2014 que prevê, entre outras medidas gravosas, o alargamento da base de incidência da contribuição extraordinária de solidariedade nas pensões, fazendo com que esta faixa etária recorra cada vez mais aos serviços das IPSS.
É certo que as instituições de solidariedade se vão adaptando, como podem, a cada situação, correndo o risco de falhar, mas nunca desistindo, procurando sempre soluções para que não morra a sua principal determinação: o apoio aos mais necessitados. E mesmo que muito do trabalho das IPSS se vá fazendo com recurso ao voluntariado, não deixa de ser verdade que até para isso é necessário haver dinheiro.
Mas, com tanta gente para ajudar, é por demais evidente que são já as instituições de solidariedade quem precisa de ajuda. Com urgência, sob o risco de, também elas, como já acontece com muitas famílias, irem à falência.




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