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O fundamento dos valores

Subjetivamente falando, todo o real, que possui valor em quaisquer das suas dimensões, é por nós estimado, desejado e acolhido. O mesmo já não acontece, naturalmente, com os desvalores. O que é, então, o valor? Que possui, em si, para despertar a apreensão da mente, a vivência calorosa do coração e despoletar, depois, a explosão de ansiedade para sofregamente o acolhermos com vista à nossa realização? A fim de que os patins do seu acolhimento possam rolar bem no campo virtual, vou afirmar, sucintamente e sem especulações, o que é o valor real.

Benjamim Araújo
8 Jan 2014

Contudo, antes de entrar no desfiar de tais afirmações, vou afirmar que o valor pode possuir a capacidade de despoletar ansiedades ao seu acolhimento, incentivar ruturas, desmembramentos, fragmentações, conflitos, violências, agressões e fazer do direito torto e do torto direito. Isto acontece, naturalmente, quando o valor é escasso e é ambicionado por muitos.
Vou, agora, sem entrar em minuciosidades, apelidar de valor a todo o real que possui algo, cuja posse nos valoriza. Vou colocar a chancela de valor em todo o real que, por si, concorre para a superação das nossas carências, isto é, ao real que favorece a nossa integridade, união, bem como a todo o real que bafeja o crescimento da nossa existencial autonomia, liberdade e responsabilidade. Vou também apelidar de valor a todo o real que ruma para os veleiros da verdade, da justiça, equilíbrio e paz e para a satisfação das nossas naturais necessidades, desejos e aspirações.
Também os aconselhamentos e medicamentos, que são saúde para o organismo biológico e psíquico, são considerados valores. Mesmo a aplicação das baterias de testes de orientação profissional, que descobrem as efi-
ciências das nossas aptidões, bem como o perfil psicológico, a fim de prognosticarem os caminhos para o êxito, são valores. Até a palavra, o sorriso, o abraço são valores.
Estamos mergulhados num ocea-no de valores. São inumeráveis, como a chuva miudinha numa manhã de inverno.
Paralelamente a estes valores reais, autênticos, adultos, saudáveis e instigadores de otimismo e de esperança, caminham a seu lado, opondo-se-lhes, os valores diabólicos, satânicos e cheios de vacuidade que, com enlevo, nos prendem e estonteiam. São, por exemplo, a ira, o ódio, os ressentimentos. São, progressivamente, geradores de fragilidades, de pessimismos, desesperanças e são destiladores de sofrimentos e dores. São despoticamente fragmentadores, em todas as áreas humanas.
Seguindo a descendente hierarquia dos valores reais, vou distribuí-los pelos seus ajustados anfiteatros. À nossa autêntica natureza, vou localizá-la no púlpito da transcendentalidade. O organismo biopsíquico vai ocupar o aposento da existência temporal. As artes, a moral, a ética, as especulações, a religião e as técnicas, vou inseri-las nos aposentos da cultura. À exterioridade e interioridade do nosso maravilhoso planeta Terra, vou prendê-lo no aposento aberto da natureza.
Vou tomar, por fundamento radical de todos os valores reais, a onticidade da nossa autêntica natureza. Esta, como dádiva, vinda do poder, do amor, da sabedoria e beleza de Deus, é um valor em si. É um valor valorizante de todos os valores reais e verdadeiros. Supera o tempo e o espaço. É potencialmente exuberante de vida, de amor, sabedoria, beleza, paz, luz e de universalidade. É a fonte viva de toda a dinamicidade, implícita nos valores reais e, como tal, exige, imperativamente, das energias específicas de todos os valores reais e autênticos, o seu regresso à universalidade e identidade da nossa ôntica natureza. Deste modo, raia, em todas as energias específicas dos valores, uma transcendental tenção a rebentar de ansiedade, que exige, incondicionalmente, a sua pacificação na união com Deus, com a universalidade dos homens e com o Mundo.




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