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As práticas em tempos de crise de valores e de identidade

Há práticas que têm feito prova ao longo dos últimos anos serem meros artifícios de  discussão sobre algo que alguém já decidiu e que teima em validar junto dos seus, invertendo o ónus da auscultação recomendada. Como se o seu “mundo” fosse o universo de todos  os outros pequenos “mundos” que constituem a vida coletiva. A presente crise, mais de identidade social do que partidária, assenta numa crise de valores de referência de muitos dos seus agentes. Uns com responsabilidade política pública. Outros com responsabilidade de abrangência social. E outros ainda com responsabilidade implícita no exercício de liderança institucional, profissional, de organização ou outra.

António Fernandes
8 Jan 2014

Em todos os casos com responsabilidades não aceites e de que resulta o descalabro institucional, pragmático e programático, empurrando para o desnorte as organizações sociais, nomeadamente os partidos, tão só porque são a face visível da contribuição com que  cada um participa – de forma obrigatória através das diversas tributações existentes – sendo líquido que, de forma voluntária ou através do O. E., acaba por participar também, embora a forma de participação não seja de tão fácil perceção na atividade financeira de todas as outras organizações existentes.
Reportando ao sentimento de crítica generalizada sobre a atividade dos partidos políticos, pelos motivos antes anotados, a que segmentos da população aderiu por convergência de valores e ideais, e só por isso, desvinculando-se de qualquer espécie de assunção da responsabilidade inerente, porque o que importa, pensam, é ganhar eleições?! A todo o custo! Por qualquer preço!
Mas, o que de facto importa, é ganhar a confiança das pessoas! Trazê-las de novo para a atividade política. Porque os partidos políticos são as pessoas para cujos interesses estão vocacionados e vinculados por princípios.
Sem isso, não há vitórias eleitorais. E muito menos a tranquilidade de que tudo fizeram, dentro do quadro do que são os valores da ética e da moral, para a construção de um mundo mais justo e equitativo, onde todos possamos viver em comunhão e partilha.
Sendo a política uma ciência, exige estudo de abrangência e discernimento, condição imprescindível ao alcance do entendimento sobre toda e qualquer ciência.
Estudo que a não ser tido em linha de conta reporta à única valia que é a da sua restrição ao “mundo” do indivíduo. Um “mundo” demasiado condicionado por limites de horizontes transversais.
O que faz com que as práticas se tornem de índole e de interesse individual em detrimento do interesse coletivo.
Acontece que destas práticas quotidianas resulta a funcionalidade do Estado/Nação, mais ou menos permeável a outras práticas direcionais ou direcionadas, com efeitos profundos a curto, médio e longo prazos, em que a hipoteca das gerações seguintes é total e a quem não será permitido o direito de opção, uma vez que este foi tomado por geração cessante.
Daí que, por vezes, seja necessário parar para ponderar. Torna-se necessário parar para refletir. E torna-se necessário que dessa reflexão, para além de um aprofundado exercício de introspeção, se discirna e abarque a rea-
lidade circundante. A realidade da conjuntura  de todos os fatores. Se são  determinantes. E se serão esses os fatores a ter em linha de conta.
Porque a não ser assim, podemos pensar estar a agir bem e o resultado ser rigorosamente o contrário: o de estarmos a agir mal!
E a perceção do quanto de errado teve o trajeto feito pode ser de conclusão demasiado tardia.
A constatação de que o desinteresse para com o essencial não foi suficiente e o tempo perdido com o acessório foi demasiado. O que por si só não é suficiente por ser de conclusão em que as soluções que em tempo útil teriam sido úteis, aquando dessa constatação já não são tão úteis e exequíveis quanto o seriam. Tanto para o interesse presente como para o interesse acautelado do futuro.
Conclui-se, por isso, que as práticas coerentes são antagónicas às práticas avulso. As práticas coerentes exigem metodologia e conhecimento adequado de acordo com a função preventiva – enquanto que as práticas avulso advêm do recurso momentâneo, suprem – quando suprem – o momento, para no momento seguinte se diluírem por inexistência de método e de conhecimento sobre o que se faz e como se faz.
O que acontece por manifesta falta de matriz na identidade precoce, de recurso ou paliativa, e também na escala de valores; da ética e da moral!




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