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Potencializar o turismo religioso

Tradicionalmente, a primeira função de um museu era a de guardar, preservar e estudar objetos. Nos últimos anos os museus deixaram de ser predominantemente instituições de custódia para cada vez mais se tornarem instituições focadas na atração de público. Hoje, gerir um museu comporta, para além do papel custodial, a necessidade de atrair visitantes. A nova ênfase foi colocada na interação e relacionamento do museu com a sua audiência. Esta mudança na finalidade e prioridades dos museus tem tido impacto sobre a sua natureza.

Fernando Jorge Colmenero Ferreira
7 Jan 2014

Atualmente os museus estão focalizados na necessidade de fazer apelo a públicos diferenciados e na criação de desafios muito diferentes dos tradicionais, alicerçados na custódia de obras. A gestão dos museus passou a ter em conta o contexto do serviço e a disponibilização do museu como serviço, recorrendo à utilização de estratégias para aumentar o número de visitantes e para encorajar a mudança e a expansão do papel de custódia para uma ênfase na satisfação do visitante.
É certo que os museus podem diferir muito no tipo de coleção de obras que possuem e expõem, mas diferem pouco no seu objetivo principal: o foco na educação dos visitantes. Porém, nos museus mais modernos associou-se à educação do público o seu entretenimento. Hoje, um museu concentra-se em promover a instituição através de programas criativos e esforça-se para obter fundos através da organização de exposições temporárias e eventos de grande escala, incentivando as doações de mecenas. Neste caso, estas abordagens estão claramente relacionadas com orientações para a atração de visitantes, considerando as necessidades dos mercados-alvo e procurando satisfazê-los por meio de ofertas competitivas adequadas e viáveis, isto é, possuem uma orientação para as vendas e para o mercado. Apesar de serem instituições não lucrativas estão direcionadas para a sua sustentabilidade.
Nesta orientação para o mercado, não é de estranhar que se ouça falar de operadores mundiais de museus, nem que “o maior operador de museus do mundo, que gere por exemplo Versailles e o Louvre, fature 55 milhões de euros por ano”. Museus onde os visitantes assistem a espetáculos, compram objetos nas suas lojas, consomem nos seus restaurantes, cafés, buffets, etc.
A utilização do exemplo do museu serve para percebermos de que forma o turismo cultural é entendido. Sendo assim, dificilmente se pode pensar que uma igreja, ou outro lugar de culto, se possa transformar em local de consumo turístico meramente cultural. Se a motivação e experiência que o visitante procura se enquadra na fé, no culto, na devoção, ou na descoberta, então o consumo turístico prende-se com a religiosidade e nesse caso estamos perante um consumo de turismo religioso. Assim, este tipo de turismo está muito profundamente ligado aos eventos religiosos que acontecem nos locais recetores dos fluxos turísticos e consequentemente a um calendário muito preciso.
Potencializar e desenvolver o turismo religioso não é centrar-se na divulgação de igrejas e santuários, mas é focar-se nos acontecimentos diretamente relacionados com a fé, a devoção, a descoberta, estimulando e motivando o conjunto de pessoas com necessidade de viver essa fé e devoção a se deslocarem até nós para vivenciarem essa fé ou a sua descoberta. Têm as peregrinações ao Sameiro, a Romaria de Santa Marta, as várias procissões realizadas fora da Semana Santa, como a procissão dos Passos, notoriedade minimamente aproximada às solenidades da Semana Santa? Deve a Festa de São João diferenciar-se de algumas das suas congéneres, atraindo também visitantes que para além das festividades de carater popular procurem associar a viagem a uma experiência de fé? Parece-me que sim. Assim queiram os responsáveis, porque pode-se sempre melhorar mesmo o que já está bem feito. Um bom exemplo disso tem sido a Semana Santa em Braga.




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