Fotografia:
Não arrumemos o presépio

1 A esta hora, são já muitosos presépios que estão a
ser desmontados.
Mas será que a sua lição alguma
vez terá sido apreendida?

João António Pinheiro Teixeira
7 Jan 2014

2. O presépio assinala que Deus
entra na nossa história não pela
via da opulência, mas pela via
da humildade.
O sinal de Deus não está num
palácio. Está numa manjedoura.
O sinal de Deus – garantem os
enviados celestes – não é um rei,
um presidente ou um gestor; é
um menino (cf. Lc 2, 12)
3. Divino não é o grande caber
no grande. Isso qualquer humano
consegue. Divino é o infinitamente
grande caber no infinitamente
pequeno.
Vale a pena recordar, a este propósito,
o aforismo de Hölderlin:
«Non coerceri maximo, contineri
tamen a minimo, divinum est»
(«Não ser abarcado pelo máximo,
mas deixar-se abarcar pelo
mínimo, isso é que é divino»).
4. De facto, Deus inverte o máximo
e o mínimo, o maior e o
menor, o grande e o pequeno.
O máximo é o que parece mínimo.
O maior é o que se apresenta
como menor. O verdadeiramente
grande é o que nos surge
como pequeno.
5. Como Jesus foi sempre a
transparência do Pai – «quem
Me vê, vê o Pai» (Jo 14, 9) –,
não deveria a Igreja procurar ser
a transparência de Jesus?
Para tal, não basta ser o eco
das Suas palavras. É fundamental
procurar ser a reprodução
das Suas atitudes, dos
Seus gestos.
6. Jesus é a Palavra feita vida
e a vida feita Palavra.
Palavra e vida estão unidas em
Jesus.
7. Num tempo em que se gritam
tantas palavras, faz pena que a
Palavra de Jesus seja remetida
ao silêncio e atirada para o esquecimento.
Se a memória a guarda, a prática,
muitas vezes, parece que
não a acolhe.
8. A Igreja tem de procurar
ser espelho e jamais pode ser
muro.
Assim, em vez de desmontarmos
o presépio, procuremos
transferi-lo: do templo para
o tempo, das imagens para a
vida. É na vida que Jesus quer
renascer para nós. É na vida
que Jesus quer que renasçamos
para Ele.
9. E nunca esqueçamos a sua
permanente lição.
O presépio é o certificado da humildade
de Deus e o convite ao
despojamento da Igreja.
10. Deus não está no mundo
pela pompa. Deus vem pela simplicidade
e pela pobreza.
Uma Igreja pobre será (sempre)
a maior riqueza que teremos
para oferecer.




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