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A gestão energética no caminho da sustentabilidade das cidades

Se há setores escortinados em todas as plataformas internacionais, onde se analisa a sustentabilidade das cidades, a Energia é sem dúvida um dos mais importantes e talvez um dos que ocupa mais espaço de discussão. Razão pela qual é natural que se registem avanços seja por via tecnológica, seja pelas propostas inovadoras nas metodologias de controlo e de eficiência. Portugal constitui uma agradável exceção ao ser protagonista na substituição dos combustíveis fósseis pelas energias renováveis, e ser um dos países líderes na certificação energética de edifícios na Europa comunitária. Bons indicadores a que se deviam juntar planos contínuos de racionalização, utilização de tecnologias amigas do Ambiente e aquisição inteligente de energia.

Paulo Sousa, Paulo Sampaio e José Oliveira
5 Jan 2014

Quando se fala de gestão de sistemas energéticos, ou da combinação entre necessidades e uso eficiente da Energia, foram precisos muitos anos até se perceber que, também, nesta área, é possível evoluir introduzindo o fator custo associado à sustentabilidade. Pese embora as ações de sensibilização, a exigência de certificação energética a edifícios particulares e públicos e de planos de racionalização energética, o seu impacto sendo visível não tem sido acompanhado de uma aliança estratégica que equilibre o deve e haver no setor. Alterar esta realidade, também pressupõe, ter dimensão estratégica seja na Europa ou no país, algo que está por fazer deixando o sabor amargo que muitas das ações podem não passar de medidas paliativas ou de pouco impacto. Um dos esforços que mais tem preocupado os decisores industriais toca precisamente na ferida em aberto com o custo energético e a dificuldade de negociar preços que sejam competitivos para a economia. A iniciativa da Deco em abril de 2013 abriu o apetite para a negociação em escala dos preços de consumo industrial e doméstico, no que foi seguido pela Associação Industrial Portuguesa que criou uma plataforma de negociação para os seus associados. Um exemplo que ainda não se estendeu às administrações públicas nem às cidades onde não há centrais de compra de energia instaladas capazes de negociar as suas tarifas. As políticas públicas têm centrado os seus esforços na produção de legislação sobre eficiência energética enquanto a administração local tendeu a cortar na iluminação pública. A estratégia para o consumo sustentável está longe de ser concretizada no país, porque a sensibilidade para a redução dos gastos é demasiado recente e os seus efeitos são ainda localizados (impacto da crise económica). Este é um fator decisivo de competitividade à qual a gestão pública local não pode ser alheia por ser ela uma das protagonistas da dinâmica económica nas cidades. Adivinha–se que continue a ocupar um lugar cimeiro nas medidas de racionalização económica, mas se não for acompanhada de práticas inovadoras, assentes numa estratégia que inclua consumidores domésticos, institucionais e industriais pode implodir. Os esforços internacionais nesta área são imensos e as propostas para melhorar a sua gestão são vastas e diversas, pelo que importa desenvolver uma política proativa de Benchmarking que procure intensamente os melhores exemplos. Isso é o que estão a fazer cidades como Barcelona, Birmingham e Eindhoven com os seus edifícios públicos. Lá, como cá, o desafio da interoperabilidade na Europa, o Public Procurement (aquisição pública) e o avanço nas redes inteligentes são, por esta ordem, objetivos mobilizadores para se fazer melhor. Tudo começa localmente e é aí que os protagonistas, universidades incluídas, ganham valor gerindo a cidade em torno de uma estratégia suportada pela indústria elétrica. O recente debate promovido no Brasil sobre redes e cidades inteligentes, organizado pelo Gesel – Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pelo CEIIA – Centro de Engenharia e Inovação de Portugal revela o difícil caminho que temos pela frente na Europa e como é importante ter uma estratégia e uma visão integrada sobre o setor que permita transformar o custo excessivo em liquidez disponível para investir na economia.




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