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Braga, um município a caminho da estagnação?

Tudo se conjuga nesse sentido: um município a caminhar para a estagnação. Um município bloqueado ao desenvolvimento. Um município amarrado a práticas de sobreendividamento que aniquilaram a aspiração legítima das freguesias suburbanas a terem um futuro mais prometedor. Construiu-se um concelho assimétrico com laivos nítidos de arcaísmos estruturais, em que caminhos de terra batida se misturam com piscinas, pavilhões gimnodesportivos e campos sintéticos a granel. Tudo isto no século XXI e depois de 40 anos de democracia. Sem necessidade e sem razões objectivas. Simplesmente, porque se fizeram opções erradas e se tomaram decisões descabidas no campo do desenvolvimento local.

Armindo Oliveira
4 Jan 2014

Depois de tantos anos a gastar e a distribuir à farta, sem nexo e sem jeito e com a máquina de fazer dinheiro encravada, a construção civil, o desfecho só poderá desaguar na estagnação municipal. Para ser mais rigoroso na apreciação, dinheiro não haverá para se investir, mas, certamente, haverá dívidas e compromissos com fartura. E as dívidas têm que ser pagas e os compromissos têm que ser cumpridos à custa da penhora do futuro, do desenvolvimento das freguesias e das expectativas legitimamente acalentadas pelos cidadãos.
“Quando não há dinheiro, não há vício”, é assim que diz o povo. Por isso, sem dinheiro, sem confiança e sem perspectivas positivas diante dos nossos olhos, vamos ter que aguentar, durante anos a fio, um município em degradação contínua e desfazer-se aos farrapos. É triste termos chegado a este “buraco” que vai engolir e trucidar as esperanças e os destinos das pessoas. E tudo isto se verifica e acontece numa Câmara que se ufanava de ser a terceira cidade do país, mas que tinha a obrigação democrática de ser responsável, mais prudente e mais criteriosa. O dinheiro dos contribuintes merecia mais respeito. Contudo, o que dói mais ao cidadão comum é que ninguém responderá perante o imbróglio que foi construído por uma gestão fundamentada na demagogia, nos favoritismos e na vaidade de um protagonismo anacrónico próprio de uma cultura terceiro-mundista. Será ponto assente neste campo: não se imputarão culpas e responsabilidades a ninguém pelos erros cometidos. Quem saiu da cena política está de fora, quem está dentro que resolva os problemas dos outros. É assim que funciona a democracia neste país. Impunidade, sempre e bem protegida e assessorada.
Antes mesmo de serem conhecidos e divulgados os resultados da prometida auditoria às contas da CMB, o actual líder da edilidade, Ricardo Rio, já vai dando sinais evidentes da ruptura financeira que existe nos cofres do município. Assim, em vez da aquisição necessária dos terrenos para a construção do Parque das Sete Fontes, promessa simbólica da sua campanha e de grande impacto ambiental para cidade, a CMB optou por suspender parcial e preventivamente o PDM, proibindo os proprietários de executar projectos individualizados de construção de moradias. Esta medida parece-me acertada, mas não resolve o problema de se salvaguardar este valioso património de engenharia e aquífero que corre sérios riscos de ser destruído. Se houvesse dinheiro, a negociação entre os interessados e a CMB seria célere e consequente, uma vez que a compra representa a única saída plausível para solucionar este caso que se arrasta há demasiado tempo. Outro sinal foi dado na visita do presidente da edilidade às freguesias de Crespos e de Pousada, em que o presidente do executivo afirma que 2014 será um ano “muito condicionado” em termos de investimento nas freguesias do concelho por causa do “volume de obras delegadas e assumidas no mandato anterior”. Feitas as contas, pouco ou nada restará para projectos novos. Reconhece, contudo, Ricardo Rio que houve freguesias com mandatos do PSD que foram discriminadas pelo executivo liderado por Mesquita Machado, o que é bem verdade. Merelim São Pedro foi uma dessas freguesias que pagou caro a ousadia e a coragem com que enfrentou o poder absoluto de uma linha “socialista” gastadora e ressabiada. Foi colocada à margem do mapa de obras de 2009 a 2013.
É nos momentos de aflição e de constrangimentos que se vê a categoria dos governantes. Compete à equipa liderada por Ricardo Rio ser inteligente, audaz e inovadora para enfrentar os problemas que existem no município. É tempo, agora, de se olhar um pouco mais para os reais interesses das pessoas e freguesias discriminadas. Com espírito de grupo, com seriedade, com rigor e com determinação os obstáculos podem ser ultrapassados. Será que o executivo camarário tem esta alma, determinação e sabedoria para resolver a embrulhada municipal?




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