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Viver na esperança…

Apesar das dificuldades económicas, este tempo de Festas mostrou a forma como vivemos intensamente este período de Natal e Ano Novo, sendo certo que existem valores que nos unem nesta data e acontecimentos históricos que prevalecem com o simbolismo desta época do nascimento do Menino Jesus. Apesar disso, continuamos a aguardar algo que nos escapa quando tudo fazemos para alcançar estabilidade económica, emprego e sustentabilidade do Estado Social. Curiosamente temos uma Constituição que alguns põem em causa, mas que por agora constitui o referente fundamental, a lei que todos deviam conhecer e cumprir, porque aprovada pelos partidos políticos e ainda vigente.

J. Carlos Queiroz
3 Jan 2014

Governar contra esta Lei parece impossível e no entanto são muitos os que a referem como lesiva para a governação. Ora em boa verdade, qualquer governo num Estado democrático e de direito deve ter orgulho na sua Constituição e governar em conformidade com ela. Por outro lado, os Orçamentos de Estado e seus rectificativos continuam a constituir-se como projectos de austeridade limitativos e obedientes a regras externas, de tal forma que tudo parece ser posto em causa, dadas as medidas exigidas com um elevado nível de austeridade e sem alternativas. Por vezes, fala-se em perda de soberania e de dignidade para tentar compreender este fenómeno de dependência externa em forma de memorando e vigia da “troika”.
Apesar de tudo, vivemos na esperança e entendemos a saída dos nossos licenciados e trabalhadores qualificados para o estrangeiro como uma inevitabilidade momentânea embora preocupante. Ao mesmo tempo, somos confrontados com políticas e medidas onde a palavra de ordem é apenas austeridade, custos elevados das prestações sociais, num país envelhecido e onde os rendimentos têm de ser reduzidos! Dizer que marchamos na cauda da Europa e até marcamos passo não chega para ilustrar a realidade de falta de estratégia que fica demonstrada pela confusão reinante em alguns sectores, nomeadamente na Educação.
Preocupante também a falta de notícias esclarecedoras sobre as parcerias público-privadas e endividamento do país para níveis elevados, sem que alguém tenha tido responsabilidades políticas, pois pelo contrário o argumento utilizado é muito abrangente e consiste em dizer que vivemos acima das nossas possibilidades e gastamos demais! Significa que os nossos políticos, aparentemente, sempre governaram bem. Então, resta-nos viver na esperança de mudanças através da evolução das políticas europeias e das exportações, única forma apresentada julgo eu por agora, apesar dos debates parlamentares e dos diá-logos governamentais.
Viver na esperança e acreditar sem ver… parece significar ter esperança nos políticos e nas suas ideias… esperar por sinais que todos os dias alguns ousam ver, sem nada demonstrar. Viver na esperança e acreditar num milagre, ou simplesmente ter esperança em políticos que insistem em opções, sem convencer os cidadãos. Mas será que alguma vez se preocuparam em esclarecer ou convencer alguém? Viver na esperança é o que os portugueses podem esperar para 2014 já que tudo o resto é uma incógnita.




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