Fotografia:
A desastrada República

Segundo um Boletim Francês – nova série de 1953 – que estudava documentos Portugueses, o Infante D. Pedro enviou do estrangeiro uma carta a D. Duarte, em 1426, com os seguintes conselhos: “O governo (português) do Estado deve basear-se nas quatros virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória; A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo; É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que cometem para assegurar a sua subsistência;

Artur Soares
3 Jan 2014

A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei (D. João I) e de D. Duarte; e dá ideia de que de lá não sai, porque se assim fosse aqueles que têm por encargo administra-la comportar-se-iam mais honestamente;
A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça;
Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes, de onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício”.
O Leitor que estiver atento a esta Carta de 1426 verificará que apenas existe uma alteração: desde o fim da Monarquia até à presente desastrada República, “requisita-se” desde os primeiros anos do século passado a compra de grandes máquinas/automóveis em vez da “requisição de animais”!
Eis os pecados da Monarquia e as desastradas Repúblicas, sobretudo esta!
Nem democracia naqueles nem competência e inteligência nestes!
Quanto à democracia destes, servem-nos mentira e até o couton dos bolsos nos levam.
Em nome duma “crise” que ao povo nunca foi bem explicada nem tão-pouco se conhece os fins desastrados que se têm vivido, castigam-nos com “cortes”, com “austeridades”, termos que o povo odeia e dos quais em nada contribuiu para a existência de tanta injustiça e de tantos lucros para os desavergonhados e aventureiros que, à sombra, riem da fome dos débeis.
Cristo no Seu tempo privilegiou a ação, em vez da locução e nunca se Lhe conheceu indiferença junto do povo. E este nosso país necessita de obras que afastem o desencanto e a desilusão; são necessárias ações concretas que incomodem a quietude e a frieza deste governo de Passos Coelho, isto é, que deviam resolver os problemas fundamentais, em vez de resolverem, como tem acontecido, sempre contra os que trabalham e os que pretendem trabalho.
Leão Tolstoi afirmou que “o trabalho é uma condição inevitável da vida humana, a verdadeira fonte do bem-estar humano”. Neste meu Portugal, apenas têm garantido trabalho aqueles que utilizam “cunhas”, que são ou têm “compadres”, que praticam o “engraxar de botas” ou que são efetivos/profissionais do “Yes Man”. Razão porque ninguém desconhece que, após “o vinte e cinco do quatro”, a grande parte dos encastelados em partidos políticos e nos lugares políticos é medíocre e tem um indisfarçável medo da inteligência e/ou competência. Todavia os medíocres são mais obstinados na conquista de posições importantes. Recorde-se os que já governaram, os que conquistaram grandes lugares/tachos e como se riem atualmente da “crise” que, para eles foi o engordar nas contas bancárias e nas reformas vergonhosas decretadas por eles mesmos.
Mas Portugal tem que entender toda esta bagunça que cansa. Os portugueses têm de perceber – e já é tempo disso – que o trigo é cercado por muito joio que abafa as nossas vidas e rapa o que nos pertence. E o joio é fácil de ver e de queimar. E como se lê nos Evangelhos, “em devido tempo queimem-se” tais ervas daninhas para que haja vida e bem-estar humano.
Há cinquenta anos, tudo o que temíamos acercada extrema-esquerda, era que perderíamos as nossas casas e as nossas poupanças e nos obrigariam a trabalhar eternamente por escassos salários e sem ter voz no sistema. Por ironia do que se tem assistido e sentido na pele, converteu-se tudo isso em realidade, hoje, com o capitalismo, o selvagem.
Segundo Erasmo de Roterdão, “há povos que são abafados por grossas e altas paredes de betão, construídas pela mediocridade. O cidadão está no fundo do poço, mas o “intelectual da mediocridade” não lhe dá a escada, o meio pelo qual ele possa galgar os degraus e subir, desde que façam algum esforço. Dá frieza de ação, de indiferença, mentira organizada e medo de viver. Esta desastrada República tem sabido garantir o Poder, embora o país se afunde, vendendo-se aos talhões em saldo.




Notícias relacionadas


Scroll Up